19 de ago de 2007

Duas horas

Duas horas (ou uma vida)

Em meio a tanto cimento
O meu sofrimento é por
Não viver o caminho que estou...

Vou de carona andando
Em silêncio cantando
Do Leme ao Arpoador

Passo no Jardim do teu Deus
E dou logo um adeus
A tudo o que já se passou

Como o gênio da lâmpada
Em garrafa com tampa das
Horas escravo sou

Na auto-estrada da vida
Nada me intriga
Vivo sem tirar nem por

Depois de um escuro sem muro
Me vem à barra da boca
Um sorriso prêt-à-porter

Na estrada um bandeirante
Meio delirante me conta
de quem estou à mercê

E com o velho deitado
Passando ao meu lado
Já não me sinto sozinho

Chego em casa e escrevo
Um poema sem tema
Apenas curtindo o caminho

4 comentários:

Vitor disse...

Sim. Este é o caminho feito pelo ônibus 2113 - taquara/castelo.

Mas esse também pode ser o caminho de uma vida humana.
Infância, adolescência, juventude, vida adulta (em suas diversas fases) e a velhice.

É também, afinal de contas, o amadurecimento, ao longo do tempo, de um estilo de vida. Aquele em que o meio é mais importante que os extremos: o caminho, e não os pontos de partida e chegada.

Murillo Santiago disse...

Vc copiou o comentário da minha mente??
...

Me vejo sozinho
Já não tão sozinho
Sozinho eu estou

Me apoio nas horas
Que vaga lembrança
Que mui aglomera

Ó suor tão digno
Goteja a poesia
Que agora eu trago

Mas que só quem é vivo
Observa a beleza
Do sofrimento que é

Não viver o caminho
Não vivendo tão sozinho
Do sorriso que vier...

Murillo Santiago disse...

A musicalidade desse poema meu camarada me fez praticamente decorá-lo!!!
Adoro ler o que você escreve meu querido!

Anônimo disse...

Que foda!!!! Só quem passou vários anos percorrendo esse caminho pra captar a profundidade dos versos! Abcs, Guga