27 de jul de 2006

Datas

Bom... vou postar duas vezes seguidas. Só espero que meus companheiros de blog não se importem. Acho (e com isso fica o recado) que temos que postar quando der vontade, e não numa ordem pré-estabelecida!

Eu tava por aqui me lembrando daquele ja muido batido (e as vezes massante) tema de datas comemorativas: o Natal, dia das crianças, dia do amigo etc. Muita gente diz que essas datas foram criadas pelo comécio simplesmente para aumentar as vendas de presentes, e que não expressam realmente o sentimento das pessoas. Tudo é uma grande hipocrisia de sentimentos industrializados: sempre tem uns babacas (me perdoem! mas liberdade de expressão, ne?) que ficam de cara amarrada no Natal por causa disso.
Não sou capaz de dizer que as datas comemorativas diminuam as vendas, que não possuam um caráter comercial, mas acho que há conceitos invertidos nesse tipo de pensamento.

Aqui, mais uma vez, vou me referir ao conceito de tempo. Criamos um calendário para nos orientar por nossa vida, para tentar prender os fatos à alguma coisa (no caso, ao tempo!): uma tentativa de dar uma certa ciclicidade aos acontecimentos, como por exemplo colheita e plantio no meio rural.
Mas só isso acabou não bastando, e os homens acabaram por criar dentro das datas do calendário algumas especiais. Os feriados e as datas comemorativas foram criados antes mesmo surgimento do capitalismo e o hábito de dar presentes, idem! E é ai que mora a inversão: não foi o comércio, "oh todo poderoso e maléfico que só nos explora", que inventou os feriados. Simplesmente hoje nós compramos os presentes que queremos dar nas datas comemorativas no mercado, embora nao haja nada que nos impeça de não dar presentes, ou de nós mesmos criá-los ao invés de comprar. (no caso de não dar presentes, até existe essa "moral capitalista de que é obrigação dar presentes; mas nem todas as pessoas realmente a seguem... você pode ser uma delas! Ou nao...)

A maioria das datas pretende nos lembrar de algumas coisas importantes que, com a nossa vida supercorrida e atribulada, acabamos por esquecer (ok, pode até culpar a sociedade contemporanea por isso, mas não quer dizer que antigamente as pessoas também nao tinham muito o que trabalhar e fazer!).

Na nossa mania (coloque aqui o adjetivo que quiser...) de buscar superheróis, modelos perfeitos, formou-se uma imagem obviamente perfeita: a do ser humano! O "ser humano" ama a todos, perdoa, é humilde, nobre, valente, corajoso, respeitador e tem uma memória de elefante (se alguém lembrar de alguma outra caracteristica, me fale!!!).
É humanamente impossível ser humano.

(como muitos ai devem discordar, vou passar a falar na primeira pessoa...)
Eu preciso do ano novo para rever e repensar todo o meu passado, meus erros e acertos; eu preciso do dia das mães/pais para lembrar o quanto amo (verbo intransitivo!!); eu preciso do Natal para lembrar que existe o perdão; eu preciso que meus amigos façam aniversário para lembrar que não sou ninguém sem eles;
sim!!!! eu preciso de datas!!! Eu preciso comemorar, sentir uma coisa de cada vez...

Mas se você quiser continuar de cara amarrada no Natal, eu te ofereço um pedaço do Chester (ufa... me salvei da piadinha!). Cara feia para mim é fome!!!

E se mesmo assim você insistir, tudo bem... quem sou eu para lhe forçar um sorriso.
Só não venha estragar a minha festa, porque do mesmo jeito que sorrisos são contagiantes tristeza também pega...

21 de jul de 2006

Circo Brasil

De volta ao Brasil. (como de volta se ainda nao estivemos por aqui?)

Já perdemos a copa do Mundo, já perdemos a paciencia com cafú, ronaldo gaucho e cia, já perdemos o Bussunda. Não podemos perder esse maravilhoso espirito patriótico que nos vem ao peito e podemos pensar um pouquinho o futuro do Brasil porque, afinal de contas, somos o pais do futuro, nao?

Pra falar do futuro, sempre é produtivo dar uma olhadinha no nosso cenario anterior (e ainda atual).
Já vi comparações bem interessantes da política brasileira com teatro, com programa humorístico etc, e acho que a mais interessante é a com um circo!
Vamos la!!!
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Temos um presidente que anda sempre na corda bamba, mas nada consegue derrubá-lo: é o nosso equilibrista.

Pra oposição, sempre me vem a imagem daquele atirador de facas vendado.
A moça que fica no "alvo" das facas eu não consigo descobrir quem é: muda todo dia.

Só os empresários conseguem passar intactos pelos leoes: são indiscutivelmente os domadores. E esse nosso circo é infestado de leões!!! O mais curioso é ver a amizade que rola entre o empresário e o leao no backstage, embora em publico eles pareçam inimigos mortais.

Esses leões, alias, consomem uma montoeira de carne, enquanto os elefantes desse circo são magrinhos, magrinhos. (essa montoeira de gente que vive no brasil é, sem duvida, um grande elefante branco: nao faz nada, so brinca de a bola e carrega mulheres na tromba)

Os donos do circo são obviamente jornalistas: no meio de tanta bizarrice, ainda conseguem manter a seriedade para dizer: "respeitável público, trazemos até vocês as alegrias e maravilhas do Circo do Brasil!!!!!"

A plateia? Facil: o resto do mundo! Paga uma micharia no ingresso (os circos hoje em geral são um pouco decadentes, mas o Circo do Brasil sempre foi...), riem à beça, e vão embora.

Faltou um palhaço...
Já sei!!! Palhaço é esse que vos fala. Daqueles que nunca perde a piada, nem se for para rir de si mesmo...

... e que nao tem a minima noção do que vai acontecer no futuro. No meio artístico, o futuro é sempre muito incerto.