8 de set de 2007

Infinito

O infinito é a coisa mais efêmera que já experimentei. Seu nome é uma frase completa. Mereceria ponto final. Mas ele só faz sentido na voz dos poetas, em versos sem nenhuma pontuação. Faculta ao leitor exclamá-lo, interrogá-lo, virgulá-lo, pontuá-lo, reticenciá-lo a seu bel-prazer.

Não sou Alice. Não me dou conta que caminho pelo país das maravilhas. Sou o coelho. Sempre atrasado para tomar o chá das 5 com a rainha de copas sem coração. Incapaz de perceber os absurdos maravilhosos que ocorrem a minha volta.

Um livro! Sim, como não percebi antes? Isto só pode ser um livro. Curioso que sou, fechei os olhos e tentei ler sua última página. O caríssimo leitor e a encantadora leitora, mais sábios do que eu, previram com exatidão o resultado de minha vã tentativa. Não encontrei. Não pude ler a última página. O que, na verdade, é uma sorte: poderei escrever a história que o livro conta palavra por palavra e você poderá deliciar-se com ela sempre que quiser. Até enquanto espera seu ônibus, oprimido entre transeuntes e veículos fumacentos - pois quando se mergulha no infinito, ele nos toma por completo...

Mas, enquanto ele não chega, boa viagem!!!

4 comentários:

Murillo Santiago disse...

O que será uma história sem fim?
Viveram felizes para sempre, dá a entender até morrer...
O que seria um amor infinito? Se pode se entender até que a morte os separe...
Dar voltas ao mundo e rodar o universo, nunca irão satisfazer um algo a mais que se espera das palavras de um poeta que com a ponta de um lápis trás pra não realidade o que de fato não é de maneira nenhuma real.
Porque nem sempre o fim é a parte mais interessante de uma história...

Murillo Santiago disse...

Digo mais, o fim no infinito nunca poderia ser uma parte da história.
Na hora que o palpável se mostra sem limites.

Liberte-se! disse...

Coelho branco que pensa,senti e jaz.



escreve,escreve, escreve que assim liberta-se do que não existe.
pois até a verdade nos foi inventada com boa intenção mas veio uma instituição e a colocou como censura para nós, mortais e imortais.

seja a idéia, idéias são imortais.
viva como mortal mas respeito como se fosse imortal, respeite-se


[ é bom estar em casa]

Flávio disse...

Li diversas vezes o seu texto, não pude entender apesar de por mais que ele pareça realmente me dizer algo, me sinto como se estivesse p/ perceber algo, mas não percebo...mas realmente é legal ver vc praticando um lado mais abstrato!