21 de mai de 2007

Supernova

Minhas estrelas também explodem...
Logo elas, que julgava eu, terem brilho próprio!
Mas talvez esse brilho inócuo para mim,
Signifiquem para elas, puro ópio...

Minhas estrelas têm cinco pontas...
Todas tão brilhantes quanto o seu centro
E suas cinco pontas apontam
Para todas as direções
Mas, pobres estrelas...
Nunca souberam qual seguir!

Minhas estrelam voam muito alto!
Mas sempre tão sozinhas...
Talvez por isso me pareçam tão tristes!

Minhas estrelas acham que não têm fim!
Mas não faz muito tempo umas delas explodiu...
E tudo quanto era sonho, soneto ou poesia
Sumiu...

Minhas estrelas pensam em revolução!
Mas nunca quiseram entender
Que não há meios de revolucionar
Quem nunca quis libertação!

Ângelo Cruz

13 de mai de 2007

Eu e meus leões



É, à noite, que os leões saem para suas rondas
pisam deixando marcas
pesados e cansados
eles vão caçar


durante o dia,eu brinco, corro e escapa-me sorrisos
no entanto, a noite chega
é hora de esconder-se
os leões estão vindo


contudo
hoje, não quero ir para a gruta
hoje, não quero sair daqui
você viu?
as estrelas estavam todas sorrindo para mim
agora, as nuvens as esconderam
está chovendo...


o barulho da chuva é música
e as estrelas dançam
a escuridão desta noite não me dá medo
e não há frio
a água caindo sobre meu corpo parece abraçar-me
e eu gosto dos meus cabelos assim, molhados


sinto que os leões estão próximos
seus pesados passos os denunciam
e a lua finalmente os ilumina
estamos frente a frente
não me mexo, só os encaro
um gota que não é chuva cái de meus olhos
{cansei de me esconder deles}
eles se aproximam
eu me sento e eles, sossegados, deitam-se ao meu redor.


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cansei
cansei de correr dos meus pensamentos por medo de encará-los
sempre à noite a solidão apronta uma revolução
machucando-me e ferindo minha alma tão menina, tão entusiasmada.


a solidão vem como uma velha descrente e ignorante
que reclama da vida como fala de uma viagem de trem do nada para o nada,
onde no decorrer dela as pessoas sofrem, choram, sangram e nada mais.
as coisas boas são iguais as flores dos campos que estão do lado de fora do trem
cujo o cheiro entra pelas janelas
você acha belo o que seus olhos encontraram mas não pode ir lá fora,
não pode tocar as flores, não pode senti-las.
{não tem coragem de parar o trem e sair dele para viver de verdade}
a visão foi apenas um momento feliz
{lembrete do que seria um momento feliz}


não
hoje, não
hoje, meus pensamentos não me devorarão
eu sou mais que eles
eles são partes de mim e não me possuem.
eles estão integrados ao que sou, mas sou eu quem os ensino e os crio.


basta!
eu quero estar em paz
deitar-me e esperar o sono chegar
sem agonia ou lamento
serei eu comigo mesma
eu e eu
juntas
rindo e sentindo as estrelas
livres no meu pensar


o ato de pensar e por meio dele decidir o que fazer sempre te ajudará a seguir em frente
mesmo que o decidido seja repousar, esperando algo, você está "indo"
mas se seus pensamentos te fazem afundar em águas profundas demais
se eles te fazem regredir a um passado e te deixam lá, preso
se eles te fazem deixar de querer viver
não os culpe
é você que não quer viver,
é você que não quer deixar o passado e enfrentar o presente,
é você que não quer nadar


você é dono de si
dono de si e de seus leões.
pensamentos leões não me devoram mais.
os meus, de hoje em diante, são vegetarianos
e por isso ficaram verdes como eu.
{pois,atualmente, minha alma é verde}


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E assim, eu e os leões, dormimos, sem ninguém a nos ver.
Camuflados sobre o campo verde, abraçados pela chuva e abençoados pelas estrelas, que por cima das nuvens carregadas dançam, nós encontramos paz...





___________________________ Mariana___


É maravilhoso estar em casa.
Com saudades sempre estive. Não importa mais porque me ausentei, cá estou pronta para contar, desenhar e falar sobre tudo e nada, e lembrar a vocês, sempre que eu puder, de aproveitarem suas vidas de verdade e com dignidade.
Aos companheiros de blog, meus abraços e potes cheios de beijos.
Obrigada por me esperar e respeitarem minha saída por uns tempos.
Adoro vocês, meninos!
... lar doce lar...
voltei

Obrigações

As ironias e os pensamentos circulares perpassam todos os campos da nossa vida... é uma coisa incrível. Dessa vez estou escrevendo no blog não por aquela espontaneidade que prezamos, mas por pura obrigação. Estipulei com o Flávio um mínimo de um post por semana, e como os dois últimos foram dele, é a minha vez de honrar o compromisso.

Eu tenho muitos outros temas entalados na garganta, mas que ainda não consegui encontrar coragem e tempo para escrever. Essa desculpa do tempo me leva de volta às obrigações. Tenho que postar no blog, mas também tenho que estudar para uma prova terça-feira (coisa que não fiz durante o final de semana inteiro e deixei para o domingo a noite). Vai acabar do jeito de sempre... farei um post medíocre e estudarei menos do que deveria para a prova - tirarei uma nota igualmente medíocre.

(...)

Estou preso, sim! por amarras que eu mesmo criei. EU que quero estudar na universidade, EU que quero manter um blog ativo. Sou prisioneiro de mim mesmo, diria o individualista. Mas você faz isso porque a sociedade cria em você essas necessidades... são meramente formas de posicionamento e expressão que o grupo social impõe como condição para participar dele, diria o sociólogo. Mas isso nos leva de volta volta à vontade do indivíduo - parte de mim a escolha de que grupo social me inserir: seria uma boa réplica. Muito pelo contrário! Desde que nasceu, você foi criado em um determinado grupo social que plantou em você a necessidade de estar nele, você não tem a prerrogativa de escolher a que grupo vai pertencer! - seria a tréplica.

O debate continua indefinidademente... só parei porque não sei qual a palavra bonitinha para discussões que vem depois da tréplica. Me recuso a usar "quadréplica" ou tetréplica".

Tenho que ir nessa. Já cumpri minha obrigação aqui.
Mas deixo a pergunta:
- "O que é liberdade para você?"

(Só de eu terminar a pergunta com o "para você", já permiti um certo viés individualista. Mas não tem problema... o indivídualismo é a característica básica da pós-modernidade, ou seja, da sociedade em que vivemos e que nos determina!)

7 de mai de 2007

Desculpem-me a intromissão, a ousadia e principalmente a cara de pau.Eu que nada tenho com este blog porém tomo a liberdade de fazer um post:

As vias que me levam a relembrar tal história não me são muito claras,porém lembro de ter lido ou visto eu algum lugar o seguinte fato:

Toda lagarta ,na fase de metamorfose, necessita irromper de seu próprio casulo para sobreviver e assim encontrar a liberdade em sua forma mais plena.Embora linda aos olhos humanos quando assume sua fase alada,nada podemos fazer pelo pequeno inseto, pois se forçarmos sua prisão e dar-lhe livremente a liberdade, a pequena borboleta nasce frágil demais para enfrentar a vida.

Adriano Cruz

6 de mai de 2007

Eu:Por que insistir em um blog?

Eu:Porque o que se cala insiste em ser consumido em sua própria chama que é o pensar ,vulgo penso, agora conhecida como presente, depois...passado...