28 de mai de 2006

Tempo

Acho que já esta em tempo de atualizar o blog! E com algo que não seja exatamente poético e bem feito... vou improvisar!
Bom, eu queria falar sobre o tempo, mas, como? Me falta tempo para escrever...
Eu perdi um tempo procurando no meu armário uma redação que eu gostei de escrever e que falava exatamente sobre... o tempo! (Isso me faz lembrar que a escrevi num simulado do Pentágono, o que me lembra também que nao se pode repetir toda hora as mesma palavra e as mesmas construções numa redação, porque denota um fraco vocabulário e repertório linguístico. Aliás é muito estranha a sensação de poder escrever sem as amarras de dissertação! Eu tenho a nítida impressão de que era mais fácil: eu me escondia sob toda aquela formalidade... agora eu me escondo sob o véu da aliteração!)
(Tem três erros graves nesse trechinho que poderiam até me zerar se eu o escrevesse numa prova)

Bom, parêntesis a parte, eu queria falar do tempo; mas o tempo que eu gastei com minhas reflexões sobre a escrita e memórias vestibularescas me fez esquecer o que eu tinha a dizer(muito conversa de botequim isso!)

Ah... e porque eu queria falar sobre o tempo?(e ainda quero, mas não consigo mais ter boas ideias). Primeiro porque acho um tema superinteressante e que permite boas discuções! Segundo para justificar a minha ausencia de posts nesse blog, que por sinal eu mesmo que criei!

É no minimo uma insensatez minha ou de qualquer pessoa dizer que nao tem tempo!!! Ou vai me dizer que o seu dia nao tem vinte e quatro horas? Ou que os seus minutos duram menos do que 60 segundos? Se você disse sim a qualquer uma das duas perguntas, por favor procure ajuda psicológica! Tenho certeza que aqui no blog tem pessoas que podem te indicar um bom (ou até mesmo se indicar...). Fato: todo mundo tem tempo! E por sinal ele é o mesmo! Talvez tempo seja o único recurso escasso igualmente distribuido na sociedade!!!!Socialistas de plantão, concordam?

Ah... tem o tal do "tempo psicológico" que a senhorita Virginia (Woolf) tentou me mostrar um dia desses (não que eu tenha entendido completamente, mas acho que consegui apreeder a idéia básica).
Se me permitem a citação (ela é bastante triste, e nao combina com o clima do post, mas eu quero colocar!!!)
"(...) dez anos sao como um dia, na dilatação extraordinária que a consciência individual impõe ao tempo, às percepções, aos afetos."
(ok... eu fiz um corte habilidoso da parte realmente triste!)

(Eu to sem jeito de fechar... nao to afim de usar "em suma" ; "desta forma" etc)
Vou deixar uma mensagem então...
O tempo não é maior do que nós, indivíduos, nao é maior que a nossa consciencia; ele nao consome a nossa vida, nós é que consumimos ele! Só nao tem tempo que é preguiçoso; alguém por aqui viu o filme "Um grande garoto" com o Hugh Grant? Eu acho que é mais ou menos por ai... quem menos "tem tempo" são as pessoas que fazem pouco, porque ficam presos à uma rotina sem sentido. Quem faz muitas coisas ao mesmo tempo, sempre arruma um para fazer uma atividade extra!
Só acho que eu deveria passar a seguir o que eu mesmo proponho como linha de raciocinio. E também acho que esse post já ta grande demais. O tempo acabou! Por hoje (mas é claro que vcs ainda podem comentar ne? :-P )

12 de mai de 2006

Opa gente...Já é hora de atualizar!Então aí vaimais um poema.Bem, esse era o texto com que eu pretendia abrir o blog, porém, o Vitor foi mais rápido e postou o outro sem me avisar...Nenhum problema o "Teatro" até que abriu de forma bem lúdica.Porém, agora vamos a outro estilo de poesia.Nesse poema de forma bem simplificada eu vou ,a cada estrofe mais ou menos, contando as fases da literatura brasileira.É claro que não é nada muito profundo ou detalhado, mas sei lá eu quis fazer um poema sobre isso e fiz ué!?Espero que gostem!
P.S:Ah, tem umas citações bem legais no poema, espero que gostem...mas sinceramente tem algumas que tenho certeza que quase ninguém vai perceber!Por exemplo:"Varando os céus de gritos!".Verso propositalmente parecido com o do poeta simbolista Cruz e Sousa no poema "Litania dos pobres".Bem...é isso.

As histórias da minha terra

Nessa terra inconstante que se planta,
Todos os futuros destinados.
Há paixões puras em desatino,
Com um mundo recheado de pecados!

Há dinheiro, há riqueza
Prata ,ouro, tristeza.
Que laços tão delicados,
Nos une em torno de tais proezas?

Seria a história?
Contada por uma voz abatida e rouca?
Mas quem descreves a tua linha
Com capítulos e personagens,
Molhados em pena tão louca?

A Arcádia já se foi no tempo,
No tempo que ainda se desenrola.
E agora Nise, Cláudia e Bárbara,
Choram por prados de outra hora.

O Romantismo foi declarado morto,
Morto, sepulto e degredado!
Fora de idade que morreste?
Ou fora de poetas condenados?

A alma cresce, a terra enobrece,
Porém, uma sociedade que esmaece.
E diante de tais contradições,
Realistas por toda parte!
Com os olhos voltados a terra,
Com os corações mergulhados em arte!

E agora terra,
Que fazem da tua beleza?
Fazem ciência, modernidade
E por mais bela que seja,
Não escapa das desigualdades.
E dos gritos de uma revolução,
Que ardem no peito da humanidade!

Mas, nesta terra que tudo cresce!
Revolução não acontece.
Mas arte ainda há!
E o poeta cansado de trabalhar (para outros)
Agora escreve para si mesmo.
E tem sua vida como enredo,
A se desenlaçar por entre os dedos!

E tempo vai, terra fica.
Ainda sem luzes para as feridas,
Nem vento que te leve,
Esta capa de perfídia!

Mas e agora terra, o que sois?
Sois a arte simbolista,
Sois pura metafísica!
Sois o homem ainda perdido,
Varando os céus de gritos!

Tantos sonhos despedaçados!
Em augusto prado e doce orvalho,
Por cima dos ombros das musas belas!
Pela cabeça de mulatos em favelas!

E nesses dias de poesia moderna
Arde uma doce chama eterna!
Será Pasárgada que se proclama
Ou Carlos Drummond que nos encanta?

É chegado nossos dias,
Sem parede, sem teto, sem relento,
Uma forma final de se expressar,
Um derradeiro grito de esperança pelo ar!

Ai!Esperança que reaparece
Vinda no vento que a renova.
Mas, saiba, luzes dessa vida,
É este mesmo vento que vos assopra...

6 de mai de 2006

Como disse o Flávio, esse texto foge bastante do Carpe Diem, estilo que eu adoto para viver e que deixo falar em meus textos.
Esse texto é um ângulo da realidade.
Apenas um ângulo.
São conclusões que "parecem" generalizar.

P.S:Não se deixem enganar pelas palavras e seus significados.

O quarto de espelhos

As pessoas são frias.
O fio de cabelo baila no ar e ri, sem medo do encontro inevitável com o chão.
(qual será o nosso encontro inevitável?)
O frio nos faz rosnar e tremer.
A frieza* que temos com nós mesmos faz nossos cabelos caírem.Fio a fio por causa do stress, da depressão, da agonia, do câncer, do pânico, do regime e da culpa.
O frio nos torna românticos.A menina acaricia os cabelos daquele cuja a mão combina-se perfeitamente com a mão dela.
O frio nos aproxima.É para ele que confessamos a necessidade que temos de calor humano, admitimos que não dá para viver só.
A frieza* que adquirimos nos isola e distancia.Somos enjaulados pelo desprezo e pelo egoísmo, ambos feras que criamos.
E nessa limitação, nessa sala triste vamos nos tornando mais frios até virarmos meros objetos.

As pessoas são frias e metidas.
Metidas em suas casas, seus carros e suas cavernas; escondidas nos eternos úteros maternos.Não se permitindo sentir algo completo que não apresente porquê, só o sabor, o cheiro, a dor, o calor e, quem sabe, o amor.
Para as pessoas metidas que estremecem diante daquilo que não tem valor comercial ou medida, a vida é uma propaganda excelente cujo o produto, o ser humano, pode ser comprado, trocado, renovado e adaptado, tudo isso dependendo do seu bolso e do seu gosto.

As pessoas são frias, metidas e medrosas.
Elas temem suas próprias sombras.
O que será que elas devem para estas?
Que segredos foram escondidos das sombras?
Quantas refeições a vergonha e o orgulho serviram para as pessoas devorarem: lamentações, feições, orações e corações.Tudo isso foi engolido com a ajuda colheradas grandes e fartas que levavam a boca aquilo que os olhos não queriam ver, lançando, ao abismo de cada pessoa, o veneno.E no final, só os pratos(semi-limpos) restam.Há no fundo de cada prato uma imagem.A pessoa, ser comilão, o objeto olha para esta e indaga assustado:
-Quem é você?
A imagem muda depois de ter acompanhado os movimentos labiais do objeto desde o início da fala, fica perplexa.
E o objeto desvia o seu olhar e ignora a pergunta feita para si mesmo.

As pessoas são frias, metidas, medrosas e surdas.

P.S:A vaidade nos leva a armadilha.No espelho, finalmente, nos encaramos com a imagem.Se formos autênticos e corajosos, olharmos para nossa alma e descobrirmos quem somos, arrancando a máscara, as botas e luvas sujas de lama e o manto desbotado.
E caso não haja espelho e nem vaidade, encare o outro.

*frieza= desprezo, indiferença

Autora:Mariana Moisés