25 de abr de 2006

À Estrela

À Estrela


Sentado à noite, o brilho fraco
do passado de uma estrela longínqua
Seduz meus olhos por horas a fio
...
...
...
Eu não vou conseguir continuar assim...
...
...

Quem sabe agora?:

À Estrela

Olho pro céu à noite
Sinto-me pequeno
Diante da imensidão do espaço

Vejo a lua
E aquele bando de estrelas
Que dizem estar bilhões
De quilômetros distante
Parecem pontinhos
Na verdade, são muito,
Muito maiores que eu.

Eu,
Eu sou apenas poeira
que elas deixaram por aí
Há um tempão atrás,
depois da tal explosão.

Alguém me disse:
“-- O céu é um tapete
Bordado com linha de prata”
Acho que desse tapete
Sou um graozinho de pó.

Não.
Talvez apenas um elétron,
Girando em torno de
um gigantesco próton.
Sem saber para que lado ir.
Esbarrando em meus semelhantes.
Tentando fugir do orbital,
da nuvem de probabilidades...
Tomar meu próprio caminho.

Ursa maior, Cruzeiro do sul,
Outras que não lembro:
Querem dar nomes às estrelas...
Uns idiotas, se quer saber!
Você iria gostar de ser batizado por pó?
Ou por um elétron?

Eu não...
Então fico quieto,
Recolho a minha pequenez
E fico a pensar em mil coisas
Coisas que talvez uma estrela nunca pense
Ela tem muito mais com o que se preocupar.

Vitor Paiva – 21/12/2004, a meia noite e pouca...(ops, já era dia 22 então)

Concertado e arruinado em vários outros dias...

– “Poesia!?”

Apesar de ambos (eu e o Flávio) termos começado com poesias antigas nao significa que o blog seja unicamente de poesia ou de nostalgia...


Sobre o texto: bom, ele é um dos primeiros poemas que realmente consegui terminar (porque quando não gosto de alguma coisa que estou escrevendo, acabo parando, e isso ocorre muito) , além de ter um significado bem especial para mim. Apesar da linguagem simples(e até um pouco infantil... mas eu diria que até intencional), acho que para uma leitura de alguma profundide ele precisa de alguns conhecimentos científicos que gosto de associar às questões cotidianas... quase que seguindo um caminho inverso (que seria explicar a ciencia pelo cotidiano); e claramente influenciado pelo Augusto dos Anjos, apesar de conhecer poucos poemas dele...

Aberto a comentários, criticas etc

8 de abr de 2006

Primeiro ato

O Flávio queria ter o post inicial do blog, e lembrei desse poema: tem tudo a ver com o nosso conceito, além de ser um dos melhores textos dele!
(quem postou foi o Vitor...)

Teatro capitalista
(por Flávio Vinícius)

E cansado de rotinas...
Fez-se um artista,
Queria reinventar o mundo,
Criar novos papéis e peças escritas.
Mas, a ausência de justiça
Tornou-o um romântico realista.
E esse foi apenas o embrião,
Base de um romancista.
Que escreveria depois um épico.
Nasce o teatro capitalista.

Num país há muito esquecido,
Fulgura uma lenda sem título.
Que devora a cada capítulo,
As entranhas de um povo servil,
Derramando sangue
num país que se diz varonil.*
Mas a peça, óbvio tem um herói
Ou seria antagonista?
O qual o monstro não intimida,
Pois nosso herói é consumista!
E devido a sua natureza,
Tem-se quase que certeza
Que haverá de ter fim diferente.
Por mais incerta que a morte seja.

Mas essa estória...
É tão diferente...
Da que foi contada para a gente.
Pois o mocinho,
Não se comove, não se mexe,
Nem se compadece da dor.
E o que ele faz?
Ao protagonista sustenta,
Quase que com amor!

O final é óbvio, não comove,
A dor de um povo não emociona.
Pois o povo é fraco, é covarde...
E pelo monstro e seu comparsa
Ele é derrotado!
Ninguém repara...

Mas como esperavam vitória deste?
Se ele era mal alimentado?
Se era mal armado?
E no fim inclusive, odiado...

E o herói sorri,
Nas mãos poder e glória.
Incapaz de mudar rumos na História.
Pois não interessa...
Aliás, que história é essa?

O final é óbvio
Tende ao esquecimento,
A sofrer erosão do tempo,
E assim se apagar da memória.
Mas, a arte se reinventa.
E o teatro faz da vida,
Seu principal artista.
E ainda que esta não brilhe em cena,
Este teatro ainda encena,
O texto que foi escrito pela rotina,
Pelo cansaço e pela solidão,
Vista todo dia no peito do meu Brasil.
Mesmo assim, ninguém ainda aplaudiu...

Flávio Vinícius Ferreira de Araújo...18/12/05

*Varonil: Viril, enérgico, heróico



E mais um blog se inicia na internet... vamos ver no que vai dar!