30 de jun de 2009

Michael Jackson

Michael Jackson e a agenda

A morte de Michael Jackson movimenta a mídia desde a semana passada. Eu estava no meio de uma conversa quando minha interlocutora foi interrompida pelo celular. Era uma amiga dela, ligando para contar o chocante fato. Não quero aqui discutir o indiscutível talento do astro, nem suas bizarrices depois da fama. Quero discutir o hoje, o dia depois da morte.

Duas notícias me chamaram atenção: três dos discos do Michael voltaram com força total à lista dos mais vendidos da amazon algumas horas depois; o Google registrou busca pelo seu nome como ataque cibernético, de tantas que foram.

Chego a especular como seria engraçado ele de fato não ter morrido. Depois de ser negro e "virar branco", não seria difícil fazer uma superplástica, virar outra pessoa e sumir do mapa, enquanto a sua obra estoura na mídia e ele (e seus empresários) ganham rios de dinheiro. Ok ok, é bem conspiratório isso. Mas eu só quero atentar para o fato de como a morte pode ser usada (talvez incidentalmente, tudo bem) para promover o que se quer promover. Desviar a atenção de assuntos mais importantes...

Na verdade é uma certa inquietação minha. Sempre acho que a agenda dos meios de comunicação é feita para nos entreter (quanto a este primeiro ponto não há a menor dúvida, pois que ela é feita para vender jornal ou espaço publicitário), enquanto o mundo de verdade rola la fora. Em todo e qualquer fato, insisto em perguntar: Cui bono? Porque é juntando essas pequenas pecinhas que podemos ter alguma vaga idéia do mundo. Ou talvez seja porque eu me sinto atordoado com o volume de informação a que estamos expostos diariamente.

12 de jun de 2009

Inspirar-se

Inspirar-se

As paredes são brancas
Não são paredes, na verdade.
Por detrás do vidro vê carros,
O céu e a praia ao fundo
O encontro dos azuis

A respiração é lenta e ruidosa
O nariz toca o vidro
Que deixa de ser transparente
É branca
desesperadoramente branca a parede

O ar que respira, sufoca.
Não é nada além de si
O ar deflora o corpo
Sangra-lhe o nariz
Absorto, suspenso, nu

Seus pés tocam o chão
Mármore gelado,
De um frio inebriante

Num rompante,
Atira-se ao chão
Não suportava mais
seu próprio cheiro.
Asséptico
Nem a neutralidade
daquela parede-vidro

Eis que o chão o faz perceber
a gravidade.
E que caia.
Vertiginosamente

Agora que caminha,
deita e acaricia
A simplicidade
que sustenta
corpo e alma.

Como num sopro de leveza
Respira

1 de jun de 2009

Hoje em um livro de História do Brasil do futuro

Hoje em um livro de História do Brasil do futuro

A partir da abertura política, marcada pelos movimentos de 1985 que culminaram com a carta constitucional de 1988, o Brasil entrou no período que se convencionou chamar de "Nova República", alcunha dada por um dos líderes da redemocratização, Ulisses Guimarães. O traço mais marcante desse período, entretanto, foi a Tripartição dos Poderes às avessas que vigorou na prática. O estudo da História brasileira é repleto dessas "inovações" de engenharia polítca, cuja expressão máxima foi o "parlamentarismo às avessas" do 2o reinado.

Dentro da tripartição dos poderes clássica, o Legislativo faz as leis, o Executivo as executa e o Judiciário julga os casos conflituosos. Na tripartição de poderes à brasileira, o executivo faz as leis através do instrumento chamado medida provisória, que tem prioridade sobre a pauta do Congresso Nacional; este, por sua vez, não está muito preocupado com a sua pauta legislativa, pois ocupa-se basicamente de investigar e julgar os conflitos entre as diferentes correntes políticas nas chamdas Comissões Parlamentares de Inquérito. Ao Judiciário cabe mandar executar as leis, já que ninguém as cumpre mesmo.