26 de jul de 2008

Estréia

Nessa minha primeira apresentação, acho interessante trazer algo bem no meu estilo, que faça jus à minha definição de contador de histórias. E aí vai. Espero que seja do agrado de vocês.

Um dia desses estava eu entediado na sala de espera do consultório médico aguardando minha vez de fazer o famoso "check-up". Não tinha nada pra ler a não ser uma "Caras" com Luciana Gimenez na capa. Ou seja, de fato não tinha nada pra ler. Assistir Ana Maria Braga e Louro José definitivamente não me atraía. A posição era desconfortável pro cochilo, então só me restava prestar atenção ao papo de duas mulheres que também esperavam sua vez. Peguei o bonde andando mas aos poucos fui notando que elas falavam sobre remédios de emagrecer e produtos tipo "diet shake", mas eram mulheres razoavelmente em boa forma, pelo menos no meu gosto. O papo era enfadonho, entretanto fiquei com aquilo na cabeça, até que surgiu uma voz masculina, grossa, quebrando o marasmo dos meus pensamentos. Eu tinha sido chamado para a atualização da ficha. Segui a tal voz e me deparei com uma figura caricata(quase ri). Era magrelo e a cara dele vista de perfil parecia uma lua nova, de tão avantajado que era o queixo. Ali minha auto-estima subiu consideravelmente. Subi na balança e assim que ela se estabilizou, pude visualizar o número 60,5. O que aquele número tinha a me dizer, além da reação normal da balança sobre mim? Lembrei daquela conversa chata entre as duas mulheres, somando à minha sensação de bem-estar ao ver um cara que através de sua feiúra elevou minha auto-estima. É esquisito, mas depois da revolução sexual dos anos 60, nossa sociedade ocidental tornou-se cada vez mais competitiva em termos de beleza, alavancando a indústria dos cosméticos e difundindo a “ideologia” das academias de ginástica, ou então a indústria dos músculos e suplementos. E o perigo consiste justamente aí, pois nós homens muitas vezes acabamos tendo obsessão pela massa muscular, podendo acarretar no uso indevido de certas substâncias nocivas, cujos prejuízos podem ser irreversíveis. Quanto às mulheres minha preocupação é ainda maior, já que de um modo geral elas são mais vaidosas que nós, o que provoca um grande sofrimento, que por sua vez as torna escravas da balança. Balança? Olha ela aí outra vez! Afinal, o que aquele 60,5 queria dizer, além da força normal que a balança exercia sobre mim? Acho que nada! Eu, uns 3 sacos de cimento, ou uns 7 cachorros vira-lata não produziríamos um efeito muito diferente na tal da balança. Então pra que dar tanta importância ao número que lá aparece? Será que faz sentido? Eu acho uma tremenda neurose! O que realmente importa é o que a nossa capacidade de avaliação e discernimento diz, e não a indicação de um aparelho. Podemos ter características físicas distintas, como os números medidos pela balança, e nem por isso sermos menos atraentes. Repito, isso quem vai julgar não é um medidor de massa, mas sim nós, seres humanos. E cá entre nós, eu faço isso direitinho. Então, meninas, se quiserem ter a experiência e precisarem de algum apoio afetivo, posso deixar meu endereço, telefone de contato, msn, orkut, afinal, estamos aí.

19 de jul de 2008

Por alguns instantes eu acreditei

Por alguns instantes, acreditei...

(Aproveitando a deixa do Flávio sobre midia)

É engraçado como até nós, universitários, a nata da intelectualidade brasileira, às vezes nos deixamos influenciar por notícias sem fundamento.

Saiu no Globo Online hoje que a Derci Gonçalves morreu. Por um instante eu acreditei. Se saiu no Globo Online deve ser verdade né? Veja bem, falta lógica aos nossos meios de comunicação. Ela é imortal. Logo, não pode morrer. Como podem então ser noticiada a sua morte? Para mim esta é A prova cabal da manipulação que sofremos!

Há, é claro, uma mensagem subliminar por detrás desse engodo. Ela (a mídia) quer obviamente nos convencer de seu poder, afirmando: não importa se é para sempre, se é imortal, tudo é efêmero. Se o Globo Online disse que morreu, já era mermão. Não tem jeito. Morreu mesmo!
Se não for mais notícia, acabou a existência.

Na verdade isso é só um plano para derrubar o Hugo Chavez. Ele quer se perpetuar no poder, tornar-se o governante imortal. Mas quando a Globo mata a Derci, quer obviamente nos dizer que nada é para sempre sem o seu aval. Hugo não poderá permanecer no poder se continuar cerceando a "liberdade de imprensa". Também pode ser um golpe preventivo contra as pretenções do Lula de obter um terceiro mandato. Ou tudo ao mesmo tempo. Isso! Meu deus, eles são geniais mesmo! Ao menos isso, tiro o Chapéu. Acho que encontrei a falha nesse plano margistral!

Derci Gonçalves morreu? É por essas e outras que acredito: somos gado. Ou melhor, somos o irmão caçula. Tomamos como lei tudo o que nosso Grande Irmão diz!

10 de jul de 2008

Eu me exercitando numa arte diferente...

Liberdade de expressão, termo recorrente na mídia atual. Falta, porém, veracidade e integridade à grande mídia (ou mídia dominante) ao usar esse termo, pois para ela liberdade significa difundir apenas um discurso, o do capital. Assim, tal termo transita entre o real e o utópico, real porque não há regras, leis claras que proíbam as pessoas de falarem o que pensam e assim, gozamos de uma relativa liberdade, utópico porque há uma lei subjacente que dificulta a expressão daqueles que pensam diferente da mídia dominante, a lei do capital - quem tem dinheiro encontra muito mais facilidade de difundir os seus pensamentos, sua visão de mundo do que quem não tem - isso obviamente porque vivemos num sistema capitalista. Portanto, concluímos que em nossa sociedade o substrato que garante a liberdade de expressão é o dinheiro, e as mídias, que não têm visões semelhantes do mundo, têm suas idéias escamoteadas para segundo plano. O que pode nos levar, por conseguinte a uma conclusão, a real liberdade de expressão significa uma luta contra o capital e o sistema que ele erigiu.

Outro mito que temos de destruir, é a imparcialidade. No mais puro sentido marxista, a imparcialidade é uma ideologia, ou seja, uma falsa consciência, como discutido no texto de Eduardo Coutinho “A ideologia da imparcialidade” pois “toda fala é a fala de um sujeito histórico e, de alguma forma, corresponde a seus interesses e anseios.”. Assim, podemos tirar o véu que nos cega e perceber que o que a grande mídia tenta com esse mito da imparcialidade é naturalizar visões do mundo, tornar verídica apenas uma das formas possíveis de representação da realidade.

Cabe aqui explicar por que é tão importante dominar a informação, e isso é compreensível por um motivo óbvio: “Quem tem o poder de dar nomes define como os demais vão pensar”(Coutinho, 2008). Logo, a luta pelo domínio das informações se revela em luta pelo poder de influência na maneira de pensar da sociedade. E o que somos além de tudo o que pensamos?

3 de jul de 2008

Nos últimos 20 anos

Coisas que (acho) aprendi nos últimos 20 anos
(ou uma compilação de raciocínios idiotas)

9 – O mundo tem 6.000.000.000 pessoas. Você consegue imaginar esse número? Eu também não. Vejo o Maracanã lotado com 70.000 e acho incrível. Com tanta gente por aí, tem louco para tudo, absolutamente tudo, nesse mundo.

2 – O relógio acelera nos momentos não apropriados.

3 – Só dura aquilo que alguém se dedica a fazer durar.

14 – Se você quiser ser levado a sério, use notas de rodapé e cite fontes “respeitáveis” (ou as invente).

4 – Amor existe. Até nos que não acreditam nele. (CAMÕES, 1595)

5 – Generalizar é sempre um erro.

11 – Você é pronome indeterminado.

6 – Definições são mais importantes que teorias.

7 – O papel aceita qualquer coisa e qualquer teoria, tudo. Só os seres humanos podem aceitar ou rejeitar um papel.

8– O mundo é feito pelos que põem a mão na massa.

12 – Se você fizer tudo certo e uma coisa errada, (quase) ninguém prestará atenção nos teus acertos.

13 – Eu até tentei, mas não consegui chegar até o número 20 nessa listinha

16 – O que diferencia o Homo sapiens sapiens das outras espécies é a nossa arrogância.

10 – No Brasil, somos 180.000.000 idiotas¹.

15 – O planeta terra é dominado pelos artrópodes. (Bem entendido, as baratas, por exemplo, sobreviveriam a uma guerra nuclear entre USA e URSS, pois elas são imunes a radiação)

1 – A ordem dos fatores é essencial para determinar o produto.





¹Idiota, do grego idiótes, é o homem privado, em oposição ao homem de Estado, público; ou Idiota, do latim Idiota, aquele ignorante em algum ofício, homem sem educação, ignorante. (Britannica Online Encyclopedia, tradução livre)