16 de jul de 2010

No meio (2)

Eu e o Flávio nos inscrevemos no concurso de crônicas da Blooks
Não fomos finalistas, infelizmente. Mas gostaria de compartilhar aqui a crônica que enviamos para lá. Ela já apareceu aqui nO Teatro, mas em dois posts separados (No meio e Direito de resposta). Nós juntamos os dois textos (o segundo foi escrito como continuação do primeiro) e melhoramos algumas partes (ler um texto antigo sem querer tentar melhorar um pouquinho ele é quase impossível)

No Meio

Flávio Vinícius Ferreira de Araújo e Vitor Paiva Pimentel

(...)
- Então você diz porque sim?
- Sim!
- Resumes tudo numa afirmação?
- Não...
- Então negas e
Consideras uma devoção!
- Eu!?
- Meu Deus!
- O quê !?
- Cinismo...
- Não. Abismo. Que se esconde.
- Onde?
- Em frente às favelas, de um povo que reza, e também se confessa.
Que pensa que é gente, mas gente não sente.
Que acha que é, mas só interpreta
o que dizem que Deus quer
mas este mesmo os despreza.
(Pausa)
Me diz isso como algo que se entende
e ainda por cima não se arrepende!?
Você considera tudo sua ciência...
Sua social ciência.
E assim se esquece
dos fatos de antes, da vida de antes,
e acima de tudo, da Divina Providência.
- Não seja sonhador! Dor, dores deveras.
E você me fala das vidas como se fossem primaveras?
- Ah! Quem me dera ser sonhador e não enxergar a dor
Fruto que me dilacera,
E que ao sorrir diz
que não sou apenas esta tão frágil... matéria.
- Inconseqüente!
- Mentes!
- Direito à vida!
- Que viva!
- Adquirida!
- Admitida!
- Mentira!
- Verdade!
- Pedaço!
- Eternidade!
- Efêmera!
- Quimera!
- Que me dilacera se eu não tentar.
Encontrar por meios próprios – seja a social ciência, seja por completa incompetência – a verdadeira mentira.
Que se atira do sétimo andar. Cai. E, para ti*, se esconde, longe do nosso alcance, no céu.
- Porque não tiras o véu? Cegas a ti mesmo por amor a que? O Romântico aqui sou eu...
- Cego-me por medo, confesso. E não me arrependo.
- Cinismo!
- Não, abismo... que se revela. Que me revela. Como apenas mais um do povo.
Povo que talvez reza, talvez calcula, talvez não procura, mas nunca se entrega. Inabalável em sua fé.
- Fé em que?
- Não importa. A fé se basta, intransitiva.
- Divina Providência?
- Ou seja lá em que barco queiras me colocar. Posso colocá-lo em qualquer barco também!
Mas, de um jeito ou de outro, estamos juntos! Estivemos e estaremos! Juntos!
- Para a eternidade...
- Efêmera!
(...)

*Parati é o nome de uma cidade fluminense que tem seu nome em homenagem a um Peixe Branco, seu significado em Tupi (or not Tupi?). É a cidade que cedia a Festa Libertária Internacional.

Um comentário:

aaluah disse...

Vitor, querido, no meu último post, acho que você precisaria dar um f5. Passei anos tentando dar um formato redondo :(

Beijos

Ah, discorda de quê??