13 de out de 2008

Divagacoes sobre a crise

Divagações sobre a atual crise¹

A história da humanidade ocidental é marcada pela criação de intermediários que nos separam da perfeição. Num breve apanhado: o estado dos filósofos do Platão, a Igreja de Deus da Idade Média, o Povo do Iluminismo, o Partido dos Comunistas e finalmente o Mercado, dos liberais.

De fato são as decisões das pessoas que definem o futuro, e todas estão intimamente interligadas. Vícios privados, prujuizos públicos². O mercado não existe. É jogo de soma zero. Se alguém perdeu, alguém ganhou comprando na baixa.

Notas:

1 - Este texto foi um comentário feito por mim a um texto do leitor do Globo Online Rodrigo Tostes, que pode ser lido no endereço: http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2008/10/13/minha_crise_existencial_capitalista-585914463.asp

2 - Mandeville, um "teórico" do Liberalismo pré-Adam Smith, sintetiza seu pensamento em "vicios privados, benefícios públicos". Essa seria a essência do mercado como mecanismo de coordenação social, isto é, como construir ordem se cada indivíduo segue somente seus próprios interesses.

3 comentários:

Renan disse...

De fato estamos separados da perfeição. Quem são os intermediários eu não sei. Mas evidentemente, no caso da economia existe essa compensação que foi batizada de "soma zero", o que é dedutível a partir do instante em que assumimos que o dinheiro é finito. Mas e se o dinheiro fosse infinito? Seria algo assim:

Teorema 1:"Dada uma certa quantia x, existe uma quantia y > x, para todo x. Desta forma, existe um montante y tão grande quanto se queira."

Teorema 2:"Se um indivíduo é capaz de acumular um montante tão grande quanto se queira, por indução, os demais indivíduos serão igualmente capazes."

Será que nessas condições a bufunfa teria o mesmo poder? Dentro das minhas limitações, não me atrevo a responder questões desse tipo, pra mim quase tão complexas quanto os meios de atingir a perfeição. Cada um que encontre seu caminho, sua forma de se religar. Principalmente aqueles que têm investimentos em bancos e bolsas de valores. É bom arrumar um bom patuá, rezar com muita fé, e se proteger como for viável. Salve-se quem puder!

Vitor disse...

O dinheiro é infinito. O que não é infinito são as riquezas da sociedade (que foi batizada nessa crise de a "economia real").
Dinheiro é um pedaço de papel (ou um impulso elétrico no computador) que corresponde ao direito sobre a riqueza social, que nele se transforma para fins de facilitar as trocas (dentre outras coisas).

Essas condições vigoram, e a bufunfa tem o mesmo poder. O seu teorema 2 é genial porque ele expressa o coração do pensamento liberal/de mercado: qualquer um pode ficar rico, qualquer um pode ter poder. Mas a gente sabe que pertencendo ao clube tudo fica mais fácil...

Um abraço!

Flávio disse...

Tah aih...Gostei do texto...Apesar de não ter entendido muito bem o primeiro parágrafo...Não entendi pq akelas instituições nos separam da perfeição...
Mas...o segundo parágrafo é inteiramente compreensível...Só q aih pinta algo q nunka entendi...Vamos supor agora a crise mundial...Como pode ser mundial?Se tem alguns países perdendo, outros estão ganhando não?