20 de ago de 2006

Faz tempo que não escrevo, então peguei esse texto guardado.
Ele é uma crítica.
E outra coisa, não reclame que não tem nada na tevê: assistam "cadernos de cinema ", na TVE, domingo a 00:00 e as reapresentações , sábado, 1:20.

E carpe diem, senhoritas & hermanos.
Mariana

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Diálogos em gaveta aberta - 1




- Como o homem é frio! – disse a meia azul, ex- furada, hoje com um retalho roxo- Usou- me até rasgar meu abdômen para depois colocar esse troço de tom grosseiro pregado na minha barriga! Quanta audácia!
- Ah, isso é pouco ... fui trocada por uma meia nova esportiva. Tem muitos furos anti-chulé. É! Muito prendada, esta, né? Meu 100% algodão não valem nada agora. Nada!
- Eu trouxe tanto conforto para aqueles pés, querida. Lembro-me como se fosse ontem, o dia que ele subiu na empresa, ganhou o cargo de gerente. Disse que eu era sua meia da sorte!!! Eu ... ah, como eu me senti ... ele, por um dia, em sua vida, teve um momento de lucidez! É! Havia, naquele dia, reconhecido o meu valor.
- É assim mesmo ... e quando menos se espera somos trocadas ... O que será de nós? A minha vida toda eu me dediquei a esses pés, sujos, mas cuide e com tanto gosto. Noites mal dormidas, esquecidas, no cesto de roupa suja.
- Mas cheias de esperança, né? Esperando por eles, sabendo que no final daquele dia e daquela orgia eles se lembrariam de nossos corpos, tecidos, esquecidos.

E de repente, o retalho roxo respirou e retrucou para a meia azul:
- Você ama o pai, mamãe?
- O que você disse, criatura?- disse a meia azul.
- Nossa, ele fala?!- disse a outra meia.
- Fala não, atrapalha. Repete! O que você disse ?
- Vocês amam os péees?
- Amar?
- Amar? Ha, ha, ha...
- Você acha que tivemos tempo para isso, criatura?
- Tadinho, tão inocente ele ...

4 comentários:

Roberto disse...

heuhueuheuheuh

muito bom, muito bom mesmo!

me amarrei!

P.S.: cadê o Flávio, tem um tempão q eu nao falo com ele...

Vitor disse...

Eu gosto desse tipo de narrativa. Nós faz ver a vida sob outros ângulos, inusitados...

Esse texto me pertuba bastante. Amor nada mais é que inocência?
Alias, esse final é incrivelmente expressivo. Não temos tempo de para e amar, de parar e ser inocente. Por sorte, as vezes paramos e ouvimos...

Beijão Mari!
Eu sei que vcs estão em vestibular, mas o blog pode servir como valvula de escape também, ne?
Poste sempre que tiver vontade!

de Sá disse...

Mt legal esse texto!!
O mais legal é que as meias se sentem rejeitadas pelos pés... mas a meia azul exculhamba o retalho roxo...

Flávio disse...

Putz Mari...eu jah falei sobre esse texto...dakeles q vc me deu...logo q eu te conheci...foi o q eu achei mais legal...e continuo gostando muito da subjetividade dele...parabens moça!XD!