6 de mai de 2006

Como disse o Flávio, esse texto foge bastante do Carpe Diem, estilo que eu adoto para viver e que deixo falar em meus textos.
Esse texto é um ângulo da realidade.
Apenas um ângulo.
São conclusões que "parecem" generalizar.

P.S:Não se deixem enganar pelas palavras e seus significados.

O quarto de espelhos

As pessoas são frias.
O fio de cabelo baila no ar e ri, sem medo do encontro inevitável com o chão.
(qual será o nosso encontro inevitável?)
O frio nos faz rosnar e tremer.
A frieza* que temos com nós mesmos faz nossos cabelos caírem.Fio a fio por causa do stress, da depressão, da agonia, do câncer, do pânico, do regime e da culpa.
O frio nos torna românticos.A menina acaricia os cabelos daquele cuja a mão combina-se perfeitamente com a mão dela.
O frio nos aproxima.É para ele que confessamos a necessidade que temos de calor humano, admitimos que não dá para viver só.
A frieza* que adquirimos nos isola e distancia.Somos enjaulados pelo desprezo e pelo egoísmo, ambos feras que criamos.
E nessa limitação, nessa sala triste vamos nos tornando mais frios até virarmos meros objetos.

As pessoas são frias e metidas.
Metidas em suas casas, seus carros e suas cavernas; escondidas nos eternos úteros maternos.Não se permitindo sentir algo completo que não apresente porquê, só o sabor, o cheiro, a dor, o calor e, quem sabe, o amor.
Para as pessoas metidas que estremecem diante daquilo que não tem valor comercial ou medida, a vida é uma propaganda excelente cujo o produto, o ser humano, pode ser comprado, trocado, renovado e adaptado, tudo isso dependendo do seu bolso e do seu gosto.

As pessoas são frias, metidas e medrosas.
Elas temem suas próprias sombras.
O que será que elas devem para estas?
Que segredos foram escondidos das sombras?
Quantas refeições a vergonha e o orgulho serviram para as pessoas devorarem: lamentações, feições, orações e corações.Tudo isso foi engolido com a ajuda colheradas grandes e fartas que levavam a boca aquilo que os olhos não queriam ver, lançando, ao abismo de cada pessoa, o veneno.E no final, só os pratos(semi-limpos) restam.Há no fundo de cada prato uma imagem.A pessoa, ser comilão, o objeto olha para esta e indaga assustado:
-Quem é você?
A imagem muda depois de ter acompanhado os movimentos labiais do objeto desde o início da fala, fica perplexa.
E o objeto desvia o seu olhar e ignora a pergunta feita para si mesmo.

As pessoas são frias, metidas, medrosas e surdas.

P.S:A vaidade nos leva a armadilha.No espelho, finalmente, nos encaramos com a imagem.Se formos autênticos e corajosos, olharmos para nossa alma e descobrirmos quem somos, arrancando a máscara, as botas e luvas sujas de lama e o manto desbotado.
E caso não haja espelho e nem vaidade, encare o outro.

*frieza= desprezo, indiferença

Autora:Mariana Moisés

10 comentários:

chico disse...

oi, mari,

gostei do blog! :)

depois entro com mais calma.

paz e luz, priminha.

bjs chico.

LuizGuilherme disse...

po curti o texto,bem legal,apesar deu ter outra visão

mas ta otimo =),soh num precisava explicar oq eh frieza =p

Roberto disse...

Hmmmmm

sei lá o q dizer...
adorei o texto
o paradoxo do fato do amor ser uma necessidade com o fato do amor ser uma necessidade. Mas sobre outro angulo.


P.S.: Flávio, já sei o que vai pensar, que sou incoerente. Só nao encontrei (ou preferi nao encontrar...) melhores palavras pra substituir necessidade. Mas espero que entendam o que quis dizer (por mais complicado que eu tenha tornado...)

Vitor disse...

Essa imagem final me trouxe a lembraça aquilo que vi numa peça, que mostrava os personagens como perfeitos monstros, e depois eles começavam a imitar os movimentos da plateia, como que diz: vc é igual a mim!

Como a mari mesmo se protegeu da generalizaçao, o que eu diria ja esta respondido. Mesmo assim, acho que somos metidos quando temos o "amor" em qualquer das instancias. Mas como o Roberto disse que é uma necessidade, quando ele esta em falta baixamos a cabeça. Eu sou muito assim: metido, frio e medroso.

abraço para quem é de abraço, e beijo para quem é de beijo!

Mari disse...

poxa.....


incrivel vcs terem percebi o sentimento não comentado e tão essecial para viver-se de verdade...

aaa....vale pelo beijo.vitor


eu quis mostrar um lado...que se divide em varios..

um lado em que mostra alguem querendo viver só...longe de tudo..e acaba isolando-se de si mesmo....



o perigo dos excessos...


{poxaa....cade o resto do povo que eu pedi para comentar..=( ? }



mas é assim...
{chutando uma pedrinha do châo...}


´capo` eles aparecem.







=)

Érica disse...

Lindo texto... Pudera eu lê-lo tantas vezes quanto fosse humanamente possível, de forma a absorver cada idéia intrínseca, cada duplo sentido que pode (e deveria) ser analisado.
O que são estas palavras se não pedaços de nós à deriva?
Aqueles pedaços que insistiram em continuar sua revolução e foram silenciados pelo cotidiano, pela pressa de fazer e acontecer, pela repetição de idéias à qual fomos forçados, amarrados e vendados.

(Acho que viagei um pouquinho demais... Rss)

tamy disse...

a essência.. posta como um valor nos leva longe...
ao saber o que somos nos revelemos desconhecidos aos outros e as nós mesmos...
o ser covarde q nos acompanha por toda vida como o medo de nos libertar e nos expressar da forma que queremos...
vale a pena ler idéias q nos encaixa ou nos faz pensar em até onde vamos para nos conhecer...

adorei o texto amiga, bem sua cara perfeita ao seu estilo...
bjx ... tia violeta.. hehehe

Flávio disse...

Ah moça...eu ainda não comentei nu seu texto neh?Mas, poxa...muita coisa q eu tinha p/ dizer...eu lhe disse pessoalmente então aqui eu deixo mais uma vez a confirmação que gostei do texto...Recheado de metáforas e de outros recursos...Gosto muito de como vc escreve viu?Continue assim!Não não continue!Evolua!

José Henrique Boechat disse...

Eu serei chato e no meu segundo comentário voltarei a falar em música! O processo introspectivo pelo qual o homem vem passando é realmente assustador.As pessoas estão se tornando cada vez mais neoróticas, como cê disse: "escondidas nos eternos úteros maternos" com medo do sentir, do viver, alienando-se nos computadores (porque não?), sobrevivendo de cada ilusãozinha mínima que lhes é oferecida. Nada contra psicólogos, mas estes, provavelmente, nunca foram tão usados como agora. Tem um trecho de letra do Rappa (eu acho...) que comenta legal sobre o conceito "viver feliz na Barra", acredito que a maioria conheça: "... As grades do condomínio são pra trazer proteção, mas também trazem a dúvida se é você que está nesta prisão..."
Mandou bem no texto!

JHMBL :D

leandro disse...

Eu confio no que escreve, acredito no que entendo.Nao vou falar muito pq, eu nem sei pq! quem quer saber dos pqs? rs

nao me julguem como um filho da pu.lga soh pq nao gosto de acentos virtuais, uai...(olhar sorridente)

se...me desculpando