13 de set de 2009

Humano, demasiado humano?
ou
Sobre a morte do super-homem

Prólogo:
Para teorias racistas do século XX, XIX, XVIII ou de qualquer tempo, cabe apenas o desprezo. Mas para o homem, o que cabe?

É preciso não se envergonhar e mais uma vez mergulhar fundo no homem para compreender essa nova aparição. O século XXI nos reserva um futuro glorioso (integrado?) em que a ciência vem se tornando o discurso da verdade apesar de sua historicidade e da falta de veracidade na própria história. Um paradoxo? Sim, mas não o pior deles. Dizia Nietzsche que com a História é preciso saber lembrar para se ter o que superar e saber esquecer para não ficar preso eternamente aos mesmos paradigmas. Como pode então a ciência da causa e efeito estar por criar o super-homem?
Sim, as limitações dia a dia se transformam em pó frente o ímpeto da revolução científico-tecnológica, vide as curas para as doenças, a fertilização in vitro, as células-tronco... Por aí vem o super-homem? Então, vem também o segundo paradoxo: O homem está morrendo e evoluindo através de uma ciência que se atém ao passado. Algo mais pós-moderno? Aliás, algo mais absurdo do que algo que ao tentar justificar é já negá-lo?
Porém, o que mais assusta é a pergunta: “Que homem é esse que está morrendo?” Se tomarmos como base a velha definição de que o homem é sempre aquele que falha, aquele que morre, aquele que sofre, o que é por definição imperfeito. Talvez facilite a compreensão, mas há uma segunda pergunta: O homem se tornou completamente humano? Nos elevamos totalmente do nosso estado animalesco anterior? Completamos a sublimação? Ou, a falha na sublimação confirma realmente a nossa essência humana?
Algo mais pós-moderno e irônico do que superar algo que nem fomos capazes de sermos completamente? Como então salvar o super-homem do pós-modernismo?
Tenho a impressão que se o super-homem vier no século XXI, ele será relativizado em pleno vôo, e ao tentar confirmar sua existência provaremos por A+B a sua não-existência. Perceberemos então, que falta o homem. E, assim para o Übermensch restará a involução para o homem. O que seja talvez o que a humanidade tanto necessita.

Prólogo: Que morra o super-homem e nasça o homem antes.

3 comentários:

Carol disse...

Eu acho que existe - e sempre vai existir - o desejo pelo super-homem, pois é nele que reside a vontade do futuro, a motivação para o trabalho e o progresso, e a vontade que temos de ser sempre mais.

Mas sempre seremos homem, pois, não importa em qual estágio estivermos, sempre haverá um super-homem mais super que a gente.

..... será que entendi o texto? Tem lógica o meu comentário? rsrs

Beijão, Flávio!

Nathália Rose disse...

É, parece que alguém andou prestando atenção às aulas do Mestre Márcio! rs
Agora estou com sono, depois farei um comentário mais filosófico.
Mas... não seria este comentário apenas Virtual? Ou um simulacro? O Real acabou? Pois, na realidade, mas, o que é a realidade?
etc etc etc... rs

abração/

Vitor disse...

Nit (não é niterói, é pq eu não sei escrever o nome dele) relatou a existência do mito super-homem em fins do séc. XIX. Parece que ele tinha como alvo principalmente a razão iluminista do século das luzes.

Então, nada novo no front. Como é boa a citação de Hegel: "a história nos ensina que a história não ensina nada". Aos incautos ilumindados contemporâneos, meus pêsames. Aos pessimistas, boa sorte... espero que não acabem como o nosso glorioso Nit.

E que não destruamos o mundo nesta busca incessante por dominar a natureza, pois dela fazemos parte.