10 de jul de 2008

Eu me exercitando numa arte diferente...

Liberdade de expressão, termo recorrente na mídia atual. Falta, porém, veracidade e integridade à grande mídia (ou mídia dominante) ao usar esse termo, pois para ela liberdade significa difundir apenas um discurso, o do capital. Assim, tal termo transita entre o real e o utópico, real porque não há regras, leis claras que proíbam as pessoas de falarem o que pensam e assim, gozamos de uma relativa liberdade, utópico porque há uma lei subjacente que dificulta a expressão daqueles que pensam diferente da mídia dominante, a lei do capital - quem tem dinheiro encontra muito mais facilidade de difundir os seus pensamentos, sua visão de mundo do que quem não tem - isso obviamente porque vivemos num sistema capitalista. Portanto, concluímos que em nossa sociedade o substrato que garante a liberdade de expressão é o dinheiro, e as mídias, que não têm visões semelhantes do mundo, têm suas idéias escamoteadas para segundo plano. O que pode nos levar, por conseguinte a uma conclusão, a real liberdade de expressão significa uma luta contra o capital e o sistema que ele erigiu.

Outro mito que temos de destruir, é a imparcialidade. No mais puro sentido marxista, a imparcialidade é uma ideologia, ou seja, uma falsa consciência, como discutido no texto de Eduardo Coutinho “A ideologia da imparcialidade” pois “toda fala é a fala de um sujeito histórico e, de alguma forma, corresponde a seus interesses e anseios.”. Assim, podemos tirar o véu que nos cega e perceber que o que a grande mídia tenta com esse mito da imparcialidade é naturalizar visões do mundo, tornar verídica apenas uma das formas possíveis de representação da realidade.

Cabe aqui explicar por que é tão importante dominar a informação, e isso é compreensível por um motivo óbvio: “Quem tem o poder de dar nomes define como os demais vão pensar”(Coutinho, 2008). Logo, a luta pelo domínio das informações se revela em luta pelo poder de influência na maneira de pensar da sociedade. E o que somos além de tudo o que pensamos?

13 comentários:

Clara disse...

Geralmente eu comento as suas poesias!! Hehe!! É um dos primeiros textox em prosa que leio seu. Gostei bastante, pois concordo com a sua crítica e ainda acho que a mídia com suas propagandas é nada mais do que uma máquina de lavagem cerebral.

Rafael disse...

Não existe mídia independente. 99% dos casos elas refletem a opinião dos financiadores.

E o mais macabro é pensar que grande parte de todas as notícias de relevo no mundo é produzida apenas por 4 agências de notícias (AP, AFP, EFE, Reuters)

julianomedufrj disse...

Mt bom o texto...

e sobre liberdade , lamento informar que pra mim é tudo apenas uma ilusão, vivemos numa verdadeira ditadura mascarada....

Primeiro pq se vc protestar por algo vc ou levará bomba de efeito moral ,balas e porrada do BOPE ou será gentilmente levado para traficantes te matarem....

E a nossa querida globo sempre ligada no que dá ibope!!o transito por exemplo...Quem liga pra um hospital q atende 80% da alta complexidade do estado e está fechando??Isso pq infelizmente as pessoas sao conformistas e só lembram e querem melhorar as coisas qnd precisam ou qnd sofrem por elas....

Ana Carolina disse...

Adorei !!
Pra mim a liberdade eh algo q insistimos em acreditar ,em todos os âmbitos da nossa existência estaremos subjugados a algo maior do que nós q nos direciona a determinadas atitudes , escolhas .Não se restringe somente a existência humana , até msm os animais estão subjugados ao limites impostos pela natureza .

Thais Portella disse...

Hahahahaha! Coutinho falando algo que temos que dizer que é verdade!
A liberdade de imprensa que anda tão comentada na tv, dentro de diversos assuntos; como vemos hoje em dia até na questão eleitoral. Eh tudo uma farsa pais a grande mídia jamais falará o que não interessa a ela!
Gostei da sua introdução ficou muito boa!

Caroline disse...

Flavio!!!
Engraçado depois de tanto tempo descobrir que a gente tem mais uma
coisa em comum e pra mim a mais importante de todas, a luta contra uma lógica perversa que existe no mundo em que vivemos.
Parabéns pelo amadurecimento da sua escrita e principalmente pelo tema tão instigante.
Ótimo texto!!!
Beijos.

Thereza disse...

Concordo plenamente.... sabemos que poucos controlam muitos, nao é??? Alem do mais ha a industria da dita "Liberdade de Expressao"! A verdade nao esta na midia. o imparcial me remete ao medo!

Jessica disse...

Flávio, seu texto formidável como sempre... Concordo plenamente com toda a sua crítica! O poder nas mãos de poucos e quase nada nas mãos de muitos!
Parabéns pelo ótimo texto!!

Beijos

Renan disse...

Ontem, aqui em Padre Miguel, enquanto me dirigia ao Maracanã, passei ao lado de uma birosca regada à cerveja, tira-gosto e vozes masculinas aleatórias. Em meio à mistura uma frase ali proferida ficou reverberando nos meus ouvidos:"A televisão tá aí, só é burro quem quer." Ali, mais uma vez ficou claro o poder que a imprensa exerce sobre a sociedade. Pelo menos a grande imprensa. A mesma que defende a falsa, imoral e perversa imparcialidade. Os jornalistas, representantes desse mar de hipocrisia, normalmente se põem como formadores de opinião(infelizmente são)e como esclarecedores(aí fode tudo). Não seria mais honesto se as opiniões fossem divulgadas na 1ª pessoa do singular? Mas não é esse o objetivo, pelo menos em se tratando de meios de comunicação em massa. Isso provocaria uma diversidade de opiniões e abriria campo pro debate. Mas através da maldita pseudo-imparcialidade tratam de difundir idéias que a eles próprios interessam. Através de suas verdades(quanta ousadia se acharem detentores da verdade) disfarçam e distorcem situações passíveis de muitas interpretações. E em meio aos sofismáveis enredos criados com tantas verdades, formam-se fatos cristalinos e incontestáveis, acabando por castrar a criatividade e o livre pensamento do indivíduo, em tese zelando por uma outra liberdade. Apenas em tese, já que acabam moldando as cabeças de muitos pelas suas próprias idéias, uma vez que que temos um povo acostumado simplesmente a engolir sem contestar. Mas a evolução tecnológica trouxe também o outro lado, bem positivo por sinal. Nasceram na internet espaços como este, batizados de blog, onde há um Flávio, ou Vitor, ou Mariana, ou Cidão, ou até alguns comentaristas como eu divulgando suas próprias idéias, sem compromisso com tal verdade absoluta que a imparcialidade aparentemente carrega, apenas se importando com o que eles mesmos enxergam e têm como verdade. Não é o ideal, mas já é um começo. É um avanço contra a quadrilha da informação. Vou agora encerrar lembrando uma pérola esportiva do genial Nelson Rodrigues, que pode ser relida e encaixada em situações mais gerais, não necessariamente futebolísticas. Eis a pérola:"O Fluminense é o melhor time. Se os fatos provam o contrário, azar o dos fatos."

Vitor disse...

As liberdades do capitalismo são formais, querem apenas dizer que ninguém vai de fato de impedir de fazer alguma coisa. Ela só promete que vc pode falar, não que te serão garantidos meios para ser ouvido. É inocencia pensar o contrário, esses marcos são bem claros na história das idéias liberais.

Quanto a imparcialidade. Acho um saco essa posição marxista. Pq em geral não há consciencia de interesses e anceios. Há um simplismo grosseiro nessa redução do indivíduo a um sujeito histórico. Questionar a imparcialidade faz parte dos interesses e anceios do sujeito histórico "marxista", o que nos faz cair em relativismo, numa doutrina que se diz científicista.

Num ponto concordamos. Capitalismo é luta por informação, e por influência. Pq são dois poderosos jeitos de se ganhar dinheiro.

Abraço,
Vitor

P.S.: ainda há o que melhorar na prosa, cara. Continue!!

Davi disse...

Ahá, um texto em prosa! Agora sim, comento com gosto!

E comento pra dizer que tem toda a razão. O que vemos atualmente é uma mídia capitalista introduzindo conceitos totalmente ilusórios na mente das pessoas, buscando, com isso, até mesmo um modo de justificar as suas atitudes e crenças como ideais de massa.

Fantástico! Abraço!

Érica disse...

há! eduardo coutinho forever in my heart!

(mesmo ele não respeitando a tão respeitável regra dos 30°)

Flávio disse...

Érica...quem é vc?