10 de jun de 2007

Antes de começar a leitura desse texto queridos leitores, queria dizer que o dito cujo já fora escrito há muito tempo, e estava guardado em minhas gavetas de textos que talvez algum dia sejam publicados...Nessa fase eu pensava muito sobre a existência de Deus(coisa que faço até hoje) e no sentido de ter uma religião...Espero que apreciem as minhas conclusões...críticas ou elogios nos comentários por favor...

Marx, Deus, eu e o Brasil

Como soa para mim a palavra religião?Como defensor de algumas idéias comunistas, ela me soa exatamente como Marx dizia:”A religião é o ópio do povo.”.Porém, seguir cegamente uma idéia, sem previamente considerar as situações vistas e as variáveis que um ambiente pode empregar, soa pelo menos para mim muito mais venenoso do que o próprio ópio destilado pelas religiões.Digo isto, não sem antes pensar e refletir muito, pois, tenho em vista que considero o meu povo*, e toda sua cultura , seu romantismo enraizado que traz uma necessidade de acreditar em um futuro, por mais que o presente não lhe ofereça um perspectiva muito boa deste.
Assim como um náufrago que por amor a vida se agarra a um pedaço de madeira flutuante, até mesmo quando tudo ao seu redor seja a morte e a solidão, o povo brasileiro necessita de algo a que se prender também, algo que lhe traga fé, alívio e uma embriagada esperança.Lacuna a qual deveria ser preenchida pela luta diária por melhorias ou pela vontade de transformação social constante, porém, numa luta onde os líderes são os primeiros a desertar e a mudar de lado na batalha, torna-se inviável esperar que o brasileiro não tente encontrar na metafísica ou no misticismo o herói perfeito, o ser idealizado que virá salva-lo das garras da opressão.
Portanto, na mais pura sinceridade, vos digo que a religião é o que o povo brasileiro talvez tenha de mais importante e sincero.Pois apesar de todos os desvios cometidos pelo próprio homem e da minha dúvida constante na existência de um deus (que ainda não nos ouviu, ou anda com preguiça de nos responder),é ela que ainda faz essa gente sofrida e pobre ter coragem de levantar da cama todos os dias e não ligar para mensalões, políticos desviando verbas, escândalos e tragédias, ignorar na mais pura das ignorâncias a Amazônia e os protestantes do MST, ignorar também a fome e a miséria, e sua realidade de cada dia.Em suma, o povo brasileiro não pertence mais a essa existência, pois com tantos problemas consegue ser capaz de esquece-los e continuar resignadamente o seu caminho, enquanto eu, como triste poeta e escritor, tão preso ao meu mundo material e a Sartre, ainda preciso me beliscar para crer que realmente existo, e que tudo que vejo e ouço é real.

9 comentários:

Carolina Batista disse...

aaahhh flavio q texto lindo!!!emocionante.vc sabe q faz belos textos,mas asse ta bem politico e reivindicatório.gostei mt. parabens,flavinho!!!!!
bjossss

Davi Paranaguá disse...

Hum, verdade... Texto interessante, leva à reflexão! E concordo como "a religião é o que o povo brasileiro talvez tenha de mais importante e sincero", mesmo não sendo religioso! =P

Parabéns, abraço!! ^^

Isaac disse...

Flávio, em parte eu concordo contigo sobre a posição extremada de Marx, cheio de si quanto ao seu ateísmo pragmático. Existe até uma frase que alguém criou parodiando e criticando a célebre "a religião é o ópio do povo". Ela diz: "o marxismo é o ópio dos intelectuais". Mas o fato é que enquanto as religiões que nosso povo seguir servirem apenas de anestésico para que possam, conforme vc disse, "continuar resignadamente" suas vidas, terei que concordar com Marx. Há um tremendo paradoxo na junção de "continuar" com "resignadamente". Quem abdica de sua luta no plano terreno para se entregar a uma recompensa incerta no plano espiritual, já desistiu há muito. Continuar, para mim, é sinônimo de vida e vida é sinônimo de indignação e luta. Um Deus que leva o povo a abrir mão dessa luta está, com certeza, em conformidade com o status quo. Situação responsável pela miséria que você descreveu. Nada mais a declarar.

P.S: Eu só critiquei pq vc autorizou.

Gabriela disse...

Gostei muito do seu texto...achei bem bolado e fala de um tema extremamente interessante.
bjos

Vitor disse...

Estamos acostumados a ver a frase do Marx "religião é o ópio do povo" carregada de um sentido pejoratido e de uma ignorancia (ou falta de honestidade intelectual dos nossos professores de história do segundo grau, que nos fazem confundir fé com instituição igreja). Tomá-la como justificativa para o ateísmo é um erro. Aliás, parentesis: no segundo grau nos ensinaram muitas frases com sentidos distorcidos como "o homem é o lobo do homem" (Hobbes) e "o homem é bom a sociedade o corrompe" (Rousseau).

O problema não é o que esta dentro das cabeças das pessoas, mas o mundo que está fora delas. A religião, para Marx (e nesse raro ponto eu concordo com ele) é a solução escapista exatamente como vc colocou. Ópio aqui deve ser tomado como um remédio paliativo, do mesmo jeito que a morfina e a maconha (!) - um remédio que combate os sintomas mas não a doença. Se não for a religião, outros vícios surgirão, pois a fonte objetiva da doença ainda está lá. A religião NÃO é para Marx (e não deveria ser para ninguém, pelamordedeus!!!) a doença.

Discordo do seu final (concordando com o Isaac). Se a religião nos permite ignorar, aí ela se torna parte do problema, pois ela cala a nossa boca... quase que como uma censura. Ela não pode impedir a nossa atuação politica, pois aí ela se torna fonte de poder e de alienação.

Deus não nos ouviu? hauahuahauhauahuha No mínimo isso é inocencia. Veja, em "a procura da felicidade" a metafora do cara que está se afogando e ve dois barcos passarem e recusa a ajuda, dizendo que deus vai ajudá-lo. Ele morre, chega no ceu e pergunta a deus porque não o ajudou. Deus responde: Ora, meu filho, eu mandei dois barcos!

Ficou um testamento. Religião é um tema que ainda quero desenvolver, mas ainda estou num processo quanto a ele.

Um abraço!

Monalisa Marques disse...

Às vezes eu acho que saber demais estraga.
Estudar história e biologia estragou - e muito - a minha fé.
Fico pensando em como eu talvez fosse mais feliz se não soubesse de certas mentiras e acontecimentos... Talvez eu não entrasse em "parafuso" por algumas perdas.

Mas deixa pra lá.
Hoje é dia de felicidade.
Feliz dia dos namorados. :)

Romullo disse...

leituras podem mudar vidas...o incrivel q naum so a de quem lê...

Rayra disse...

Concordo quando disse que todos precisam de algo para se agarrar, nem que seja uma fitinha, umpedaço de madeira etc, mas deve haver algo em que possamos acreditar. Creio que Deus não algo ou alguém, e sim o construtor de tudo perfeitamente, como exemplo, o corpo humano, a natureza etc, e que o homem infelizmente está estragando toda essa perfeição aos poucos. Devido a todos esses atos prejudiciais, existe a lei do retorno, onde estamos passando por tudo isso e ainda vamos passar por muito mais porque permitimos, precisamos(como um teste diário) e como volta de tudo aquilo que já fizemos de mal. Acredito que a religião sirva para assegurar, explicar e fazer com que o indivíduo tem algo a confiar, até porque, não importa a religião, todas levam a Deus.

Beijos,

...

Roberto disse...

eh cara...
se eu entendi direito,vc quis dizer que a religião é um ópio da sociedade brasileira (digo um porque eistem outros, como copa do mundo, BBB...). Até que eu concordo com essa visão "positiva".

Abraço!