25 de mar de 2007

Teoria da relação amorosa I

Teoria da relação amorosa – A interação entre estar num compromisso e receber propostas de outros

A ciência nada mais é que um método para estudar a realidade. Uma forma de raciocinar característica, que se justifica por evitar as inconsistências mais obvias das linhas de raciocínio que somos capazes de criar.

Esse método se traduz em definir o escopo e as hipóteses iniciais do sistema. Escopo significa delimitar, circunscrever a teoria a determinados elementos que se quer avaliar e decidir sob que corte da realidade se quer observar os fenômenos. Tomemos como exemplo uma vaca: um químico a vê como uma grande porcentagem de água, e outras pequenas de potássio, sódio, cálcio etc; um anatomista a dividiria talvez em sistema digestivo, locomotor, respiratório etc; um açougueiro a dividiria em alcatra, cupim, costela (hummm... fiquei com fome agora, vou jantar, já volto!). Onde eu estava? sim!: as hipoteses iniciais. Bom... isso significa que de alguma verdade sem prova (ou seja, chutada mesmo) temos que partir. Uma boa teoria é aquela que parte de poucos e razoáveis pressupostos, mas consegue chegar a conclusões abrangentes e fortes.

Teoria da relação amorosa é o meu título, certo? Um pouco pretensioso, mas de bom tom publicitário. Eu até tenho na cabeça uma teoria mais ou menos formulada sobre o tema, mas vou escrevê-la aos poucos em diversos textos. Na verdade, aqui quero estabelecer como ocorre a influência entre dois fatores específicos das relações amorosas: interação entre se estar num compromisso e receber propostas de outros. Em palavras vulgares machistas: porque mulheres sempre dão mais mole para os compromissados (seja namoro, ou casamento) do que para os solteiros? (se você substituir os gêneros, continua valendo a pergunta – vou usar esses por conveniência de redação)(não... apesar de parecer, não sou machista... só me disfarço de algumas vezes para me divertir as custas das feministas de plantão).

Para evitar alguns erros de análise, como por exemplo pessoas com fetiche por compromissados, a pessoa que se “apaixona” pela comprometida não tem conhecimento prévio desse fato (ou seja, do relacionamento preexistente do outro). Gostaria também de enfatizar que uso a expressão relacionamento amoroso, o que significa em algo mais denso que uma mera conjunção carnal – obviamente não a exclui, mas deve ter outras prerrogativas que não serão analisadas aqui, talvez numa outra oportunidade dentro da teoria da relação amorosa.

Há inúmeros outros fatores que interagem para determinar o interesse por um relacionamento com determinada pessoa: dentre eles podemos citar a auto-estima, personalidade, sucesso profissional, bens materiais, entre outros. Vale lembrar que não é razoável usar a palavra “amor” dentro desde contexto devido à intensa controvérsia sobre seu uso – o seu uso no título, como já disse, é apenas de bom tom publicitário. Isto também exclui qualquer hipótese de “amor a primeira vista”, se é que esse fenômeno existe. Apaixonar-se já contém a intensidade necessária para os meus objetivos analíticos.

Finalmente, a hipótese empiricamente observável que quero explicar: a determinação positiva entre se estar num relacionamento bem sucedido (apaixonado) e o número de pessoas que se “apaixonam” por você. O que implica diretamente que as chances de alguém se apaixonar por você são diminuidas caso se esteja solteiro. Quero entender porque isso acontece. Caeteris paribus. São apenas duas variáveis – a primeira implica a segunda. Tudo o mais constante.

Como toda relação é composta por duas partes, vamos começar pelo cara que tem namorada. Por hipótese, estar num relacionamento amoroso bem sucedido deve gerar um acréscimo de auto-estima. Uma auto-estima elevada é vital para despertar o interesse do sexo oposto (aqui escrevo sexo oposto em virtude do meu apego à tradição e porque meus dados empíricos são de casos heterossexuais... não tenho dados para afirmar que as mesmas variáveis determinam o relacionamento homossexual). Além disso, quando se é solteiro, cada pessoa nova a quem se é apresentado tem uma certa carga potencial de se transformar em relacionamento, o que gera uma tensão inibidora. Enfim, um comprometido tem uma auto-estima mais elevada e goza de mais liberdade para expor suas características pessoais que um solteiro.

Do lado da menininha carente que se apaixona, por hipótese, mais provavelmente por um cara que tem namorada não é difícil entender. Uma solteira está por motivos inerentes à condição numa posição de auto-estima inferior àquele comprometido e inveja a condição do outro, desejando compartilhar o sentimento já existente. Além disso, observa a liberdade com que a pessoa comprometida se comporta, com muito menos receio de se expor e portanto muito mais acolhedor e compreensivo do que um solteiro.

A afetividade entre dois solteiros tem que surgir do nada, ser criada, enquanto entre um compromissado e uma solteira (ou vice-versa), o benefício do afeto já está presente em uma das pessoas, sendo a outra “carente”.

Assim, admito comprovada a interação positiva entre as variáveis propostas. Para os heróis que leram tudo... alguma dúvida? Questionamento? Revolta?

De toda essa argumentação teórica, poder-se-ia, por exemplo, concluir que a monogamia é um dos maiores absurdos da nossa sociedade, por tender a concentrar a afetividade. O sentimento na nossa cultura deve sempre nascer e morrer. Nunca distribuído.

Mas não foi com objetivo de atacar a monogamia que eu elaborei esse texto... meu objetivo era apenas encontrar as causas de um fato empírico! A ciência em seus objetivos é amoral, a discussão científica deve estar sempre acima de valores, pois busca sempre a verdade!!! Aliás, todo esse moralismo... vocês são todos loucos! No mínimo cegos. Ou só eu e o alienista (ave Machado) estamos errados?

Sorte que para relacionamentos amorosos (e para coisas de ciências sociais em geral) não se pode prender as pessoas em pequenos grupos e fornecer os estímulos, experimentar. Já existe muita crueldade no mundo...

Com toda essa enrolação eu só quis mostrar que por mais asséptico que se tente ser, utilizando os mais diversos métodos e inclusive no coerente e estruturado método científico, não existe teoria sem uma ideologia por trás. Aliás, o fato de eu terminar com um comentário desse tipo só corrobora minha afirmação – não existe teoria sem ideologia...

3 comentários:

Carol disse...

Muito interessante a sua teoria. Diminuiu as minhas esperanças, como mulher fadada a ser solteira pro resto da vida, mas tudo bem... hehe. Até porque, parando para pensar em algumas histórias, realmente é verdade: as "concorrentes" comprometidas têm a vantagem sem ao menos querer e sem ao menos tirar proveito disso.

O jeito é esperar que os homens passem a apreciar a falta ou menor auto-estima das solteiras (desculpa a solução medíocre, mas não vai sair nada melhor daqui hoje).


Obs: você escreve muito bem, menino! :)

Érica disse...

Agora sim estou pulando de alegria.

¬¬

Anônimo disse...

bom comeco