3 de jan de 2011

Fugacidade (ou a ausência eterna)

Ah, o eterno desenlace.
O desenrolar de um nó, de uma fita
Eternamente atada.
Ah, o fim. É o fim.
E nada mais.
Me pergunto: o que foi feito da poesia...
Porém, há a vida que tem de ser ganha.
Mas parece que quem ganhou foi a vida.
A vida, ávida, a vida.
Só um pôr-do-sol,
Imagem onírica de minha infância
É assim que se vive a vida,
Num sonho eterno onde passarinhos
Cantam ao entardecer e galos tecem a alvorada
E ao mesmo tempo, se perde tudo isso
Trabalhando para um mundo caduco.
Caduco porque esquece. Não, não a poesia,
Porque ela está em todas as coisas
O esquecido é homem, coisas, a vida...
Um eterno sistema de retroalimentação
Sem sentido, sem fim aparente, sem objetivo.
Que serve apenas para esquecer
E quanto mais se esquece, mais se ganha.
Ninguém sabe ao certo o quê.
Mas graças a Deus há o fim, que é o fim.
Que serve apenas para terminar a poesia.
E nada mais.

2 comentários:

Vitor disse...

Gostei bastante.

Vejo leves traços Veblenianos; vejo uma certa desculpa para sua longa ausência. Vejo traços de limão lilás (era um nó).

Ter postado no primeiro dia útil do ano seria uma promessa?

A poesia não termina.

Carol disse...

Que bonito!! :)

Beijos