27 de set. de 2010

Ironia

Sofia chegou em casa com aquele sorriso irônico no rosto, cheio de malícia. Seu sexto sentido de pai sabia que dali viria uma adolescencia.

- Pai, hoje a gente estudou em História que o Tiririca tem o recorde de votos para Deputado no Brasil. Não é aquele que você tem disco?

(silêncio constrangedor)

- Pois é, minha filha. Foi. Mas eu não votei nele não.
- Eu te deserdaria se você tivesse votado nele, disse Sofia, divertindo-se com a provocação

Ele pensou em explicar que nem se quisesse poderia votar nele, pois ele fora candidato por São Paulo. Preferiu uma rota alternativa:

- A situação política na época era muito diferente de hoje. Havia um descontentamento geral com os políticos. Muita gente achou que votar nele era uma forma de protesto.
- Se o descontentamento era geral, por que as pessoas não se mobilizavam e se candidatavam? Votar num palhaço para protestar, que pessoas burras!

Titubeou. Não conseguia colocar em palavras o imobilismo e o desamimo que dominavam aqueles tempos de sua juventude.

- Você esta mudando de assunto, protestou ela. Eu queria saber o que faz o disco dele na nossa prateleira, bem depois do The Doors e do Titas?
- Eu pedi para sua avó comprar este disco quando criança, lá para uns 8 anos. Era moda na época, anos 1990. O disco ficou na minha coleção, hoje até vale uma grana como raridade bizarra. Nunca mais escutei, diferente de você que tem até hoje músicas da Isabela Belinha no seu iAll.

(silêncio constrangedor)

- Ao menos eu não tive que aturar o Tiririca fazendo discurso em Brasília. Ele não era analfabeto?
- Acredite, minha filha, dos males o menor.

3 comentários:

. carolina . disse...

Hahaha, muito bom!

Beijos!!

érica disse...

O jeito é dançar a Florentina e caprichar no bom humor.
Acho que o ditado "a gente ri pra não chorar" é brasileiríssimo.

Gustavo Pimentel disse...

Sensacional. Sou um dos poucos que já viu o CD do Tiririca entre o The Doors e o Titãs.