24 de jun. de 2008
querido diário
hoje sonhei com a björk, com casas que não tinham ruas, que eram rios que as dividiam e eu tinha um amigo que parecia um índio.
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Querido diário,
eu quero ser ferreira gullar e alberto caeiro, ter a mente deles.
desligar minha televisão, onde reviso minhas falas até tudo cozinhar e haver um grande crash.
mas só um pouco de alberto caeiro, só um pouco
porque ele é demais para mim.
de alguma forma pegarei as coisas simples que ele diz, transformarei em algo complexo e ficarei lá pensando, pensando enquanto as pessoas dançam, riem e conversam sobre como björk é linda.
eu estarei encostada na sacada, olhando as luzes a pensar
eu sou uma viciada
uma viciada que quer parar, mas não sabe como
onde desligo isso?
quando posso relaxar?
já posso relaxar?
tem certeza que não vão me machucar?
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Querido diário,
eu descobri que não confio em ninguém.
sou uma andarilha sempre pronta para a partida
quando eu era criança, gostava de me arrumar para qualquer situação.
sair com uma roupa que eu pudesse fazer tudo: correr, escalar, resistir ao frio, estar leve para o calor,estar pronta para fugir.
mas eu ficava sem jeito quando chegava aos lugares: as outras meninas estavam tão bonitas, delicadas, vestidos, meias, laços e eu de calça, sapatilhas, blusa branca e casaco na cintura
-porque você se veste igual a um menino?
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Querido diário,
hoje no colégio uma menina falou que eu me visto igual a um menino
será verdade?
eu chorei no banheiro
não tinha ninguém para eu conversar
voltei para casa e tentei não mostrar para a minha mãe o que tinha acontecido, mas, no dia seguinte, ela percebeu
-você vai de saia hoje?
-sim.
-por quê?
-porque eu quero.
-é isso mesmo que você quer?
-não.
-o que?
-não, não é isso que eu quero,mãe.
-então, sobe e coloca o que você quer.
minha mãe, além dela ser uma das mulheres mais bonitas que conheço, ela é bastante vaidosa.
ela e minha madrinha, tia mônica, são minhas divas
lembro-me de quando ficava observando os preparativos para as saídas delas
eu gostava de ficar sentada encima da cômoda, vendo-as se arrumar.
tinha uma magia naquilo tudo, ainda tem.
minha mãe e ela sempre quiseram que eu fosse assim.
salto alto, cabelos escovados, maquiagem, panos, acessórios.
eu tenho uma imagem na minha cabeça de como eu ficaria com tantos acessórios, mas isso é uma personagem e não eu.
minha mãe sempre deixa escapar:
-você podia se arrumar mais... não sabe como ficaria linda.
ou uma frase curta do tipo:
-você vai assim?
mas ela no fundo me respeita, ela tenta me entender.
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Querido diário,
hoje vi um passarinho sozinho, sentado num fio, contra o céu lindo, um céu no entardecer
um dia, quando encontrei com um ex-namorado meu, ele me disse que havia visto um clipe que era a minha cara
esqueci de qual banda era, nem o nome da música eu me recordo
bom, o clipe é uma menina, uma criança vestida de abelhinha que todo mundo ri dela
e no final do clipe ela acha um lugar onde está todo mundo vestido de abelhinha: pessoas de várias idades, fantasiadas, dançando e pulando
ele disse que me viu naquela abelhinha
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Querido diário,
eu não sei se sou mulher, e sei que não sou homem.
eu me encanto com o universo feminino, a beleza feminina é algo que me encanta, talvez porque eu queira ser a menina bonita que vejo entrar na sala.
o universo masculino me encanta também.
ele se diverte consigo mesmo
eu tenho uma teoria: homens se exibem para outros homens, enquanto as mulheres disputam com as outras mulheres a atenção dos homens.
eu quero sair, com minhas amigas, fazer merda, mas todas estão acompanhadas e querem levar seus acompanhantes.
sendo que seus acompanhantes curtem sair com seus amigos, sem elas.
hoje eu estou acompanhada também, mas quero sair sem ele para ter esse momento com elas.
O que eu sou, querido diário?
O que eu sou?
6 de jun. de 2008
Liberdade
Cada gota de mim é
De uma liberdade profunda e irracional
Liberdade que pulsa quente e gostosa como o sangue
Que aflora dos poros e me intercepta no instante
Em que me encontro sendo eu mesma
Uma liberdade boa, fluídica e insensata
Que escorre por entre os dedos fazendo-me crer
Capaz de uma transcendência
Para um lugar onde tudo não existe
E eu mesma seja fruto da minha própria imaginação
Íris Kirsten
25 de mai. de 2008
EU (em flashs)
Minhas crenças assim não definidas
Minha vida assim tão desmedida
Meus versos assim tão infinitos
Meu riso assim tão de menino
A vida assim meio louca
O coração que aflora a boca
A estupidez que não tem hora
E as pessoas que já foram embora.
E o que eu já não quero mais
E o que quero é um pouco de paz
E as idéias que surgem bruscas
Vindas da noite, das brisas noturnas.
E, por fim, o amor que me vem de leve
Beija-me o rosto
E diz:
Até breve.
18 de mai. de 2008
Capitalismo
Não concordo com a visão do capitalismo como um roubo do post anterior. Por isso, resolvi contar uma historinha.
Era uma vez um fazendeiro tinha em frente a sua casa um buraco elameado. Durante muito tempo, com pena dos viajantes que frequentemente atolavam neste buraco, usava seu gado para desatolá-los. De tanto praticar esta ajuda ao longo dos anos, o fazendeiro começou a achar justo cobrar uma pequena contribuição dos viajantes por seus serviços. Aos poucos, ele foi abandonando o cuidado da fazenda e se especializando em retirar os atolados do buraco. E assim sustentava sua família.
Eis que uma estação muito seca acabou com a lama do buraco. Isto foi um grande choque para receitas as receitas do fazendeiro. Depois de refletir um pouco sobre esta nova situação, ele bolou um plano: ao escurecer, ele buscava água nos riachos próximos e elameava o buraco novamente. Assim, ele mantinha o buraco em frente a sua casa em condições comerciais ativas para continuar gerando-lhe a renda com a qual sustentava sua família.
Referencia: CRUZ, M. F. "A essência do pensamento Econômico e Social de Thorstein Veblen: seu Ponto Arquimediano". Rio de Janeiro: IE-UFRJ, 2008. Mimeo.