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24 de jun. de 2008

querido diário

Querido diário,
hoje sonhei com a björk, com casas que não tinham ruas, que eram rios que as dividiam e eu tinha um amigo que parecia um índio.


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Querido diário,
eu quero ser ferreira gullar e alberto caeiro, ter a mente deles.
desligar minha televisão, onde reviso minhas falas até tudo cozinhar e haver um grande crash.
mas só um pouco de alberto caeiro, só um pouco
porque ele é demais para mim.
de alguma forma pegarei as coisas simples que ele diz, transformarei em algo complexo e ficarei lá pensando, pensando enquanto as pessoas dançam, riem e conversam sobre como björk é linda.
eu estarei encostada na sacada, olhando as luzes a pensar

eu sou uma viciada
uma viciada que quer parar, mas não sabe como
onde desligo isso?
quando posso relaxar?
já posso relaxar?
tem certeza que não vão me machucar?


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Querido diário,
eu descobri que não confio em ninguém.
sou uma andarilha sempre pronta para a partida
quando eu era criança, gostava de me arrumar para qualquer situação.
sair com uma roupa que eu pudesse fazer tudo: correr, escalar, resistir ao frio, estar leve para o calor,estar pronta para fugir.

mas eu ficava sem jeito quando chegava aos lugares: as outras meninas estavam tão bonitas, delicadas, vestidos, meias, laços e eu de calça, sapatilhas, blusa branca e casaco na cintura
-porque você se veste igual a um menino?


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Querido diário,
hoje no colégio uma menina falou que eu me visto igual a um menino
será verdade?
eu chorei no banheiro
não tinha ninguém para eu conversar

voltei para casa e tentei não mostrar para a minha mãe o que tinha acontecido, mas, no dia seguinte, ela percebeu
-você vai de saia hoje?
-sim.
-por quê?
-porque eu quero.
-é isso mesmo que você quer?
-não.
-o que?
-não, não é isso que eu quero,mãe.
-então, sobe e coloca o que você quer.

minha mãe, além dela ser uma das mulheres mais bonitas que conheço, ela é bastante vaidosa.
ela e minha madrinha, tia mônica, são minhas divas
lembro-me de quando ficava observando os preparativos para as saídas delas
eu gostava de ficar sentada encima da cômoda, vendo-as se arrumar.
tinha uma magia naquilo tudo, ainda tem.
minha mãe e ela sempre quiseram que eu fosse assim.
salto alto, cabelos escovados, maquiagem, panos, acessórios.
eu tenho uma imagem na minha cabeça de como eu ficaria com tantos acessórios, mas isso é uma personagem e não eu.
minha mãe sempre deixa escapar:
-você podia se arrumar mais... não sabe como ficaria linda.
ou uma frase curta do tipo:
-você vai assim?
mas ela no fundo me respeita, ela tenta me entender.


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Querido diário,
hoje vi um passarinho sozinho, sentado num fio, contra o céu lindo, um céu no entardecer

um dia, quando encontrei com um ex-namorado meu, ele me disse que havia visto um clipe que era a minha cara
esqueci de qual banda era, nem o nome da música eu me recordo
bom, o clipe é uma menina, uma criança vestida de abelhinha que todo mundo ri dela
e no final do clipe ela acha um lugar onde está todo mundo vestido de abelhinha: pessoas de várias idades, fantasiadas, dançando e pulando
ele disse que me viu naquela abelhinha


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Querido diário,
eu não sei se sou mulher, e sei que não sou homem.
eu me encanto com o universo feminino, a beleza feminina é algo que me encanta, talvez porque eu queira ser a menina bonita que vejo entrar na sala.
o universo masculino me encanta também.
ele se diverte consigo mesmo

eu tenho uma teoria: homens se exibem para outros homens, enquanto as mulheres disputam com as outras mulheres a atenção dos homens.

eu quero sair, com minhas amigas, fazer merda, mas todas estão acompanhadas e querem levar seus acompanhantes.
sendo que seus acompanhantes curtem sair com seus amigos, sem elas.
hoje eu estou acompanhada também, mas quero sair sem ele para ter esse momento com elas.

O que eu sou, querido diário?
O que eu sou?

17 de fev. de 2008

eu tento ao máximo sair desses círculos que foram colocados ao meu redor
ás vezes, em outros encontro um pouco de paz,
naquelas urgências em que nos esbarramos ou no silêncio que cultivamos

não acredito que mudaremos o mundo,isso deixo até para a próxima miss universo
eu quero mesmo é encontrar um lugar onde eu possa ficar,
onde as mesas não irão ser quadradas e minhas verdades julgadas

quero apagar todas as luas e enfrentar aquilo que não sai do armário
ser melhor,sem temer ser a pior
não pra você ou os meus pais
não para o Estado e as criancinhas
eu vou para mim,
dessa vez me levanto para mim mesma

10 de dez. de 2007

são caras que só lembram que você pode ser linda na hora que eles querem sexo.

são bocas carentes que buscam companhia entre toques e taças.

são garotas vazias que desfilam buscando a evidência de suas coxas e a invisibilidade de suas dores existenciais

são situações que cavo no chão um buraco, onde jogo o pensamento, enterro e me calo.

vida vivida,é você que eu não quero
é você que eu nego

premeditada
destino linha
fatalidade
certezas
dogmas



vida que vivo,vida que vive,vem comigo
dança comigo
atravessa esta rua comigo,porque hoje tudo que quero é deitar
ser vã, vadia e vazia
ser como todos que critico
ser a cara do meu maior inimigo
ser eu mesma com a pior das intenções
ser eu mesma sem um pingo de amor pulsando em meu sangue
ser uma árvore seca pela ausência de alma e luz.

19 de out. de 2007

Eu juro por todos

Esse texto nasceu no ônibus 260, ficou perdido no meu caderno por meses e semana passado o achei. Servirei ele cru para vocês.
Deixo assim, como chegou até mim.


"Há dias em que o 'carpe diem' parece morar na utopia", Mel Gustav




Aviso: Para os desinformados, nessa última quinta do mês de outubro encerra o MOLA { Mostra Livre de artes} que está ocorrendo no Circo Voador { que fica na Lapa, embaixo dos Arcos}.
Essa mostra está rolando desde o início do mês de outubro, toda quinta-feira.
Ela é recheada de peças, shows, cinema,perfomaces,obras e gente,muita gente!
Começa às 18hs e vai até 2hs da matina.
A entrada é franca até as 2ohs, depois é 10 reais a inteira e 5 reais a meia!
E ah, eu estou expondo 3 desenhos meus, e quinta estarei lá. ;*




Boa noite!




Mariana




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e o trem rasga o aglomerado de perdas que há por cima dos trilhos
o barulho cega
a velocidade abafa as dores, as feridas recém-abertas e os gritos

ai,e o trem demora tanto
parece interminável sua presença
o som de sua passagem ecoa nas cabeças
não,interminável é a violência
pratos voam
ela agarra algo em busca de defesa
atira contra
chora por
cai em
são lágrimas
são soluços e
é achado um retiro no canto atrás da mesa
é estabelecido uma fortaleza: não vou contar pra ninguém
o cheiro de proteção chega com a brisa que anuncia a chuva que está próxima

já faz um tempo que o trem deixou de existir
e a briga, de que briga você está falando?
já estão todos em silêncio,
de forma bem covarde,morta,imunda,culpada,ignorante,fadigada,paralítica,castrada.
todos aceitaram o fato do trem ir e vir, assim como de haver sempre violência e mais violência, assim como o fato de não poderem falar, queixar-se da dor ou pensar com mais amor o que é a vida

"a vida é difícil" e só, isso basta!
é um todos tão só
é um só tão coletivo
que vira epidemia e muitos compram a camisa e entram para o grupo
"a vida é difícil, aceite isso para facilitar as coisas, para doer menos e morrer mais rápido"




eu juro
juro não beber
não olhar mais pra ele
não roubar seu dinheiro
juro voltar pra casa antes de meia-noite
juro que tentarei
juro não mentir
juro que vou voltar
juro que não fui eu
juro não jurar mais
eu juro que não bato mais em você
eu juro que não te bato mais
eu juro

18 de set. de 2007

Eu a conheci no meu primeiro dia de aula na UERJ, com muitos pensando que 'somos' irmãs e ainda por cima gêmeas. Hoje, é difícil dizer que me sinto só, pois quando eu olho para a Lua, ela sorri e lembro-me da minha hermana.
Essa senhorita de nome Carolline tem um jeito de amar que encanta as palavras e elas a seguem, entusiasmadas,desarmadas e livres.Acho bonito,também, quando Caroll declama sobre o silêncio, é tipo um sopro e onde lá se vai borboletas.
Hoje oferece a você algo além do 'bar bar bar' do dia a dia (que ainda nos é preciso),exponho aqui a união de um texto dela com um meu:fotolog e comentário.
Peço perdão as outras pessoas que comentaram nesse dia também e que foram abstraídas, dessa vez.
Agora vamos a 'união' que não é tudo, mas é coisa boa: água para a alma beber.

Boa tarde,mortais e imortais.


ass.Mariana


[fonte:http://www1.fotolog.com/apenas_sinta/30080565]

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e de mãos em mãos
formamos nós em nós
que não sabemos onde começaram
que não sabemos que não tem final

e quem ousar a desatar
será razão de mais laço apertado

família dos caminhos tortos
e nós cegos de amizade:

((a.m.o.r.))


eu com o Amor entro
vento
sopra
move
faça todos dançarem
faço todos cantarem
algo que nos une
que nos desata
das falas bobas
da censura
do tapa
do soco

sopra o vento
levando o amor comigo
pra todos os cantos
com todos os cantos sobre liberdade
pra despertar almas aflitas

há algo maior
há algo melhor

nós
nós somos nós ou fitas livres no ar?

10 de ago. de 2007

...

Vai, me diz, pensaram que nunca mais eu iria dar as caras aqui,não é?
Pois então, cá estou eu, viva.

Estou numa fase de textos curtos e desenhos mais abstratos do que nunca.
Para vocês deixo um texto, um fragmento de um momento.

[dois abraços apertados para meus companheiros de blog, que cujas mãos nunca me deixaram]


Mariana

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[a porta é fechada e algo cái no sofá]


drama
drama
drama
drama
drama
'dramáaatica'
...
ai, até me falta ar.
lá se vai
o tempo do drama
jogar-se no chão
exigindo.
roer unhas compulsivamente
tremer,tremer por respostas e ligações
espinhas
arranhões
tensões
mais um gole,e outro
outro
mais um ,por favor!


ah, isso nunca irá embora...
entendeu,garota?


[o 'algo' suspira]


o medo sempre te acompanhará
o medo de ser aprovada
o medo de ser mais uma dentro de uma saia
dentro de um carro
dentro de um coração
dentro de uma gaiola
dentro de um corpo


o medo trás dúvidas,opções
fugir ou não
engulir ou não
chutar ou não
rezar ou não
comer ou não
gritar ou não
rir ou não
protestar ou não
cantar ou não
aplaudir ou não
ser ou não


a dúvida vem para arrebatar seu sossego
rasgar suas sedas vermelhas
fazer seu sangue fluir de forma diferente,
num ritmo diferente
a dúvida te faz viver e avaliar
questionar-se
medo,dor,entusiasmo,amor,liberdade
eles irão acabar contigo até você ser
até você expressar e não mais querer representar


eles te colocarão em frente à ponte,
e seguir ou sentar será opção sua

13 de mai. de 2007

Eu e meus leões



É, à noite, que os leões saem para suas rondas
pisam deixando marcas
pesados e cansados
eles vão caçar


durante o dia,eu brinco, corro e escapa-me sorrisos
no entanto, a noite chega
é hora de esconder-se
os leões estão vindo


contudo
hoje, não quero ir para a gruta
hoje, não quero sair daqui
você viu?
as estrelas estavam todas sorrindo para mim
agora, as nuvens as esconderam
está chovendo...


o barulho da chuva é música
e as estrelas dançam
a escuridão desta noite não me dá medo
e não há frio
a água caindo sobre meu corpo parece abraçar-me
e eu gosto dos meus cabelos assim, molhados


sinto que os leões estão próximos
seus pesados passos os denunciam
e a lua finalmente os ilumina
estamos frente a frente
não me mexo, só os encaro
um gota que não é chuva cái de meus olhos
{cansei de me esconder deles}
eles se aproximam
eu me sento e eles, sossegados, deitam-se ao meu redor.


*******************************************


cansei
cansei de correr dos meus pensamentos por medo de encará-los
sempre à noite a solidão apronta uma revolução
machucando-me e ferindo minha alma tão menina, tão entusiasmada.


a solidão vem como uma velha descrente e ignorante
que reclama da vida como fala de uma viagem de trem do nada para o nada,
onde no decorrer dela as pessoas sofrem, choram, sangram e nada mais.
as coisas boas são iguais as flores dos campos que estão do lado de fora do trem
cujo o cheiro entra pelas janelas
você acha belo o que seus olhos encontraram mas não pode ir lá fora,
não pode tocar as flores, não pode senti-las.
{não tem coragem de parar o trem e sair dele para viver de verdade}
a visão foi apenas um momento feliz
{lembrete do que seria um momento feliz}


não
hoje, não
hoje, meus pensamentos não me devorarão
eu sou mais que eles
eles são partes de mim e não me possuem.
eles estão integrados ao que sou, mas sou eu quem os ensino e os crio.


basta!
eu quero estar em paz
deitar-me e esperar o sono chegar
sem agonia ou lamento
serei eu comigo mesma
eu e eu
juntas
rindo e sentindo as estrelas
livres no meu pensar


o ato de pensar e por meio dele decidir o que fazer sempre te ajudará a seguir em frente
mesmo que o decidido seja repousar, esperando algo, você está "indo"
mas se seus pensamentos te fazem afundar em águas profundas demais
se eles te fazem regredir a um passado e te deixam lá, preso
se eles te fazem deixar de querer viver
não os culpe
é você que não quer viver,
é você que não quer deixar o passado e enfrentar o presente,
é você que não quer nadar


você é dono de si
dono de si e de seus leões.
pensamentos leões não me devoram mais.
os meus, de hoje em diante, são vegetarianos
e por isso ficaram verdes como eu.
{pois,atualmente, minha alma é verde}


*******************************************


E assim, eu e os leões, dormimos, sem ninguém a nos ver.
Camuflados sobre o campo verde, abraçados pela chuva e abençoados pelas estrelas, que por cima das nuvens carregadas dançam, nós encontramos paz...





___________________________ Mariana___


É maravilhoso estar em casa.
Com saudades sempre estive. Não importa mais porque me ausentei, cá estou pronta para contar, desenhar e falar sobre tudo e nada, e lembrar a vocês, sempre que eu puder, de aproveitarem suas vidas de verdade e com dignidade.
Aos companheiros de blog, meus abraços e potes cheios de beijos.
Obrigada por me esperar e respeitarem minha saída por uns tempos.
Adoro vocês, meninos!
... lar doce lar...
voltei

19 de jan. de 2007

Num dia como outro, após umas conversas de madrugada e escutando Yeahyeahyeahs, esse texto libertou-se de mim.
Ele é cru, muito da alma.
Angelina Sabatti é uma personagem minha, acho que um outro eu meu, um dos outros que já nomes têm, como Limão Lilás.
Bom, esse texto é um trecho de um livro que vou escrever.
Que vocês ao lerem ,sintam as sensações e depois entendam ele.

Um beijo, companheiros e senhoritas companheiras.
Carpe Vita...


{"Não quero meu coração bailando de mão em mão"- Angelina Sabatti}


***********************************************************************************"

"eu não sou igual a você.
e isso te assusta
te faz tremer
te faz amar
te faz queimara


glória do minuto


a estrela me fez pensar num sonho bom com você
você era lilás e eu, verde
tudo que nós tocávamos virava algo que me lembrava a cor uva
minhas covinhas te faziam rir


meu querido menino,
você sabia que eu quebrei a cerca da sua casa e invadi sua vida?
mas chegou a hora de você decidir


te ligo, e atendem: engano


oh!
como tudo mudou
minhas covinhas são tão debochadas e más
muito más
te lembram um nome
te lembram ela
te lembram
e te fazem chorar
te fazem queimar
te fazem ter ódio
te fazem morrer


meu limoeiro secou


e eu tive que ir
em busca de ser
você não me entendeu
se eu continuar vou te destruir por inteiro
e você terá tanto ódio de mim que virará lobo e nunca mais voltará


água na folha de papel manchou o desenho


eu chorei
chorei
e rios se formaram
músicas foram escritas e esse texto surgiu


incerteza


eu sou um ser gentil
e não aprendi a gritar e rasgar.
não posso te tocar
não posso te abraçar
mas te amei
como o Sol adora a Lua
e seu amor me deu coragem
deu-me coragem para te deixar


meu vício
meu início
meu livro
meu doce fim de tarde
meu

mas nunca eu."

Trecho do livro 'Angústias de uma árvore', de Angelina Sabatti

14 de nov. de 2006

Era um nó
E estava na garganta
Na trança desmanchada
Na corda que te puxava um pouquinho mais
para perto de mim
Fita fina e vermelha
Ramificada, levava cor do rolo ao chão
E contava, num sussurro, algo que se esquecia
Era uma fita cor de sangue
Era uma tinta
Daquelas de textura já grossa com bolotas que davam
um aspecto revolto ao mar
Mas o silêncio das pinceladas da menina
acalmavam a fúria marinha num
misto de genialidade e delicadeza, quase
que uma gentileza aquela pintura
Quanto jornal!
De ontem, de muitos ante-ontens
cobriam algo que o pé escapava
Era um pé menino com a unha do dedão
roxa, culpa do bicão na bola
Pé sujo, pé pronto para correr
Mas se assustou e tropeçou
E, assim, o fogo o atingiu
E no jornal o corpo se escondeu
O corpo que fora de um menino
Era vida
Um karma, uma vitória, uma saída,
um fim, uma esperança, um recomeço,
um reencontro, uma luta.
Um filho, uma resposta
Muitas vidas
Em uma só
Um só

A solidão que nos consome e que como efeito escolhemos nos isolar cada vez mais.
O medo e a culpa, eles nos apressam e assim não questionamos o nó e a angústia que sentimos, não percebemos as belezas simples e reais, não mais nos deixamos compadecer com o sofrimento alheio e assim não nos impulsionamos para procuramos uma solução.
Mas são vidas e mais vidas, muito tempo, não é, companheiro?
Ah, farei amanhã.
Votarei com consciência amanhã.
Direi que te amo amanhã.
Perdoarei o filho amanhã.
Largarei amanhã.
Acordarei amanhã.
Viverei amanhã.
Amanhã.
Um brinde a esse amanhã que nunca chega, a esse fantasma do futuro que pertubamos, figurando nele a solução que evitamos procurar.
Super-herói.
E num ato de pura "ousadia" questionamos: para que procurar a solução?

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Piiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!
Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!
- É, acabou. – fala, arrumando a gravata.
- Percebi.
- Você está caidinha ainda, Clarice. Precisa sair, usar uma maquiagem, roupas bonitas que explorem seu corpo e beleza.Vá se divertir. Já falamos sobre isso.
- Mas você me perguntou o que eu estava pensando e eu falei, o que tem haver com saídas e batom?
- Essa bipolaridade sua, isso assusta seus familiares ainda. Você é nova, vá curtir a vida.
- Acho que o fato de eu ser humana assusta eles.
- Clarice, mesmo sendo humana saiba que você é capaz dos feitos dos anjos, é capaz de tudo.
- E nesse tudo não inclui ficar triste às vezes?
- Bom, por hoje é só. Até quarta-feira? Te avisaram que nossa próxima conversa não será na terça?
- Sim.
- Ok. Então... – diz enquanto levanta-se encaminhando ela para a porta azul-... até quarta!
- Um dia, eu te entendo.
- É.
- Tchau, até.- e vai embora.

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"Deixamos para amanhã viver,
deixamos para amanhã viver com dignidade
Talvez a morte nos cai bem
talvez seja essa a solução
para os simbolistas de plantão
para mim, não

fita
tinta
jornal
viola
violeta
vida
vida
Quanto mais me tiram ela, mais dela brota em mim, mais dela fica no meu ser.
Vida e mais vida ..."- rabiscos de Clarice na parede de seu quarto.

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Carpe diem,senhoritas e senhores.


Mariana

20 de ago. de 2006

Faz tempo que não escrevo, então peguei esse texto guardado.
Ele é uma crítica.
E outra coisa, não reclame que não tem nada na tevê: assistam "cadernos de cinema ", na TVE, domingo a 00:00 e as reapresentações , sábado, 1:20.

E carpe diem, senhoritas & hermanos.
Mariana

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Diálogos em gaveta aberta - 1




- Como o homem é frio! – disse a meia azul, ex- furada, hoje com um retalho roxo- Usou- me até rasgar meu abdômen para depois colocar esse troço de tom grosseiro pregado na minha barriga! Quanta audácia!
- Ah, isso é pouco ... fui trocada por uma meia nova esportiva. Tem muitos furos anti-chulé. É! Muito prendada, esta, né? Meu 100% algodão não valem nada agora. Nada!
- Eu trouxe tanto conforto para aqueles pés, querida. Lembro-me como se fosse ontem, o dia que ele subiu na empresa, ganhou o cargo de gerente. Disse que eu era sua meia da sorte!!! Eu ... ah, como eu me senti ... ele, por um dia, em sua vida, teve um momento de lucidez! É! Havia, naquele dia, reconhecido o meu valor.
- É assim mesmo ... e quando menos se espera somos trocadas ... O que será de nós? A minha vida toda eu me dediquei a esses pés, sujos, mas cuide e com tanto gosto. Noites mal dormidas, esquecidas, no cesto de roupa suja.
- Mas cheias de esperança, né? Esperando por eles, sabendo que no final daquele dia e daquela orgia eles se lembrariam de nossos corpos, tecidos, esquecidos.

E de repente, o retalho roxo respirou e retrucou para a meia azul:
- Você ama o pai, mamãe?
- O que você disse, criatura?- disse a meia azul.
- Nossa, ele fala?!- disse a outra meia.
- Fala não, atrapalha. Repete! O que você disse ?
- Vocês amam os péees?
- Amar?
- Amar? Ha, ha, ha...
- Você acha que tivemos tempo para isso, criatura?
- Tadinho, tão inocente ele ...

7 de jun. de 2006

Graças a minha insônia, uma aventura que tive vivendo perigosamente antes de tentar dormir e uma frase que um amigo querido disse esse texto surgiu. Ele tem influência também de um outro amigo meu, o rapaz sapeca Breno Dalla. Ah, devo admitir, eu gosto desse texto. Desejo que vocês o apreciem!!!
Não esquecendo de escreverem suas opiniões, logo críticas!Até e Carpe Diem!
{E sim, eu sou Limão Lilás..rs..}__________________________________Mariana M.B.S.




AO MESTRE, UM PULINHO.

{...}
- Mãe, olha pra mim... escute o que tenho a te dizer.
- O que foi, Robesval?
- É que eu quero...
- Hum!- {a mãe come, sem olhar para ele}
- Olha pra mim, mãe!
- Ah! Fale! O que é? Quer ir à ponta do pêlo do coelho? E olhar nos olhos do grande ágil, como diz aquele livro maluco que você está lendo? Eu ouvi você comentando com Seu José.
- Mãe, O Elvis é um cachorro, em primeiro lugar. E em segundo lugar, é Grande Mágico. E terceiro, o livro é maravilhoso, conta a estória da filosofia de uma maneira linda e o Seu José concorda. - { e balança a cabeça}
- Que nada! Aquele livro e Seu José são incentivadores de jovens inúteis e preguiçosos... faz você cuspir no prato que come!- {e abaixa a cabeça, voltando a comer}
- Mãe!
- Não vê que estou comendo!!!
- Você não pode parar um pouco e me ouvir? Tenho certeza absoluta que sua comida não sairá correndo de você. Até por que você está nela!
- Você se acha tão superior, né, Robesval?
- E se eu for? Aaaa... eu sou diferente, eu sei disso. Na verdade, todos somos diferentes uns dos outros.
- Quem está colocando essas idéias na sua cabeça? Você não vê? Estamos num cachorro de segunda categoria! Você deveria estar buscando um de primeira, assim como o Júlio fez para a família dele ao invés de ficar com esses pensamentos bestas...
- Mãe, eu não quero ser igual ao Júlio! Eu quero ir trabalhar no circo! É isso que estou tentando dizer.-{ fala com os olhos brilhando}
- Ai, você só me dá desgosto! Lembro-me daquele dia em que você quis ir para o focinho do Elvis, e ficou lá parado. Eu gritei tanto. Achei que fosse o seu fim!
- Aquele foi o dia mais feliz da minha vida!E eu quero mais dias como aquele, mãe, por isso vou para o circo.
- Circo? Mais uma idéia maluca. Você ... eu não sei mais quem é você...
- Eu mudei, mãe. E tenho que ir porque sei que aqui não serei feliz.
- Eu não consigo entender... mas eu quero que você seja feliz.
Então vá, Robesval.Vá...
- Mãe! – {vai à direção dela, e a abraça}
- Adeus, filho.{diz, enquanto vai embora, perdendo-se na pelagem}
- Até um dia,Mãe...


Robesval vai até a ponta de um pêlo, contempla a água que o cão bebe e pula para fora da pelagem de Elvis.

*****************************************************
Robesval foi a primeira pulga a ir trabalhar no circo. Sua vida é vista como uma lição de paciência e coragem para todas as pulgas que querem fazer circo, teatro, etc. e encontram dificuldade para se realizarem como artistas.
Ele teve participação na criação da música “Como vovó já dizia” de Raul Seixas por sussurrar no ouvido de Raul o trecho “a formiga só trabalha por que não sabe cantar” .

*****************************************************

Este texto é dedicado ao Mestre, Robesval, com muito carinho. E a todos que temem dar o primeiro passo, pulo ou vôo em direção àquilo que realmente querem.

P.s.: “Arrisco, logo existo”- Robesval Argunte, o Mestre .





Limão Lilás