27 de fev. de 2008

Samba da Bruna

"O samba é uma forma de oração"

(Ouça em www.purevolume.com/vitorpaiva88 , é só colar no seu navegador - não tem vírus)


Samba da Bruna

Um passo em falso
Um rosto descalço
Caminho em vão
Sozinho sem chão

Até que a deusa da fortuna
Enfim me achou
Sem querer me trouxe Bruna
Para repousar o meu amor

As ondas vêm me embalar
De presente para você
Distante eu sonho acordado
Estou a todo instante ao seu lado

Minha menina
Me ensina a levitar
Me leva lá em cima
O brilho de estrela do teu olhar


A ti, menina, escrevo um samba
Meio atravessado não sou nenhum bamba
Eu que não sei tocar pandeiro
Quero te dar meu mundo inteiro

17 de fev. de 2008

eu tento ao máximo sair desses círculos que foram colocados ao meu redor
ás vezes, em outros encontro um pouco de paz,
naquelas urgências em que nos esbarramos ou no silêncio que cultivamos

não acredito que mudaremos o mundo,isso deixo até para a próxima miss universo
eu quero mesmo é encontrar um lugar onde eu possa ficar,
onde as mesas não irão ser quadradas e minhas verdades julgadas

quero apagar todas as luas e enfrentar aquilo que não sai do armário
ser melhor,sem temer ser a pior
não pra você ou os meus pais
não para o Estado e as criancinhas
eu vou para mim,
dessa vez me levanto para mim mesma

3 de fev. de 2008

Solidarieade Social

Como primeiro post, nada melhor que uma reflexão que muitos julgam não ter nada a ver comigo...

Eu sou nerd. Bem, pelo menos é o que dizem. Ou pelo menos o que quem me julga rápida e superficialmente acha de mim. Não se espera que eu fale, por exemplo, de... academias!

Pois bem, academias (pelo menos a maioria, ou, no mínimo, essa que eu tô agora) me parecem um lugar de solidariedade social, acima de tudo. Ora, eu explico: quando comecei a malhar (pela primeira de inúmeras vezes), eu estava acostumado com escola. E que é uma escola? É sobretudo um lugar onde se formam grupinhos diferentes, que fazem questão de ressaltar essa diferença e competem por qualquer bobagem. É um lugar onde, apesar dos grupos, cada um está sozinho, desconfia dos outros e tenta se "afirmar", num ensaio de "expressão e construção da individualidade na adolescência".

Na academia, por oposição, há uma predisposição para a cooperação. É claro que existem grupos e tal, mas eles são mais fluidos e temporários. Na verdade, todos estão numa academia pelo mesmo motivo. Talvez o mesmo objetivo ajude a galvanizar as relações, e concentrar todos no esforço de "ficar bonito" ou pelo menos, saudável. Até na musculação, apesar de ter alguns fortões idiotas e de ser uma atividade solitária por excelência, há ajuda e compreensão. Não sei se é idealismo meu, mas o que percebo são os mais antigos dando conselhos aos mais novos, divisão de aparelhos nas séries, conversas aleatórias sobre assuntos diversos... Ou seja, diferentemente da escola, ou do trabalho ou da família, há uma espécie de energia numa academia, algo que aproxima as pessoas e ajuda todos a seguirem o objetivo comum. Parece que é uma mini-sociedade colaborativa. Muitas pessoas que desistem da academia não desistem por causa do ambiente ou das pessoas, mas devido à questões pessoais como falta de tempo ou preguiça.

A academia absorve bem novos membros, esse é o ponto. Talvez seja só a liberação de serotonina que a atividade física libera, talvez seja uma característica dos cariocas de fazer social na academia, talvez seja minha percepção torta mas... diferentemente de outros lugares, na academia você não precisa se esforçar muito pra ser aceito. E isso alivia muito as tensões e ajuda o grupo como um todo.

Enfim, vamos todos malhar!

19 de jan. de 2008

A vida é passageira, mas o amor é inacabável...

Penso nisso...

Defronto-me todos os dias com essa frase ao caminhar para a UFRJ. Escrita à grafite num viaduto, e ainda mais, riscada, sinceramente nunca fora alvo de meus devaneios, até hoje.

Hoje eu acordei com essa estranha frase martelando na minha cabeça, sinto que talvez ela queira me dizer algo. Procuro então numa análise minuciosa pensar o que o autor da dita frase queria transmitir com ela. Penso que talvez quisesse nos fazer crer na supremacia do amor perante a vida. A vida tem fim, mas o amor entretanto cria frutos que perduram muito além de uma única existência. Seria então apenas uma visão otimista do amor? Como tantas outras? Tão tola, tão cheia de defeitos como ignorar os mal-amados ou os nem-amados, e pior, os frutos que provém de um amor torto, seja ele interesseiro ou forçado. Não sei, como dizia Alberto Caeiro pensar é fechar as janelas da alma. E pensando nisso eu me sinto ainda pior, e descubro que já estou distante do sentido original da minha frase.

Mas, é o que então? O que tem nessa frase que me chama a atenção? Gramática, algo inovador? Não! Conteúdo? Clichê! Não!Mas porque tantos problemas por uma simples frase? E me vem outra vez a frase de Caeiro na cabeça, ela me devasta, o que não é muito difícil, afinal, eu já estava exausto antes desse último golpe.

Jogo fora então a tarefa de tentar elucidar a mensagem subliminar escondida na frase do viaduto e vou ver TV. Pois quem sabe, eu esqueça de toda essa tolice.

E sim amigos! Não esqueci, em verdade a frase retornou a mim ainda mais forte do que primariamente e tudo ficou tão claro, mas tão claro que infelizmente eu não posso, nem conseguiria jamais transcrever aqui. Então:


A vida é passageira, mas o amor é inacabável...

Sinta isso...

9 de jan. de 2008

(Isso é quase um manifesto!)

Ex malo bonum ou o começo do fim.

Isso o que vos escrevo é um desabafo.

E esta minha reclamação surge contra mim mesmo, quanto à minha poesia “noir”, esse eterno vestígio triste até quando não há real tristeza. Queria eu escrever apenas alguns versinhos bonitos e felizes que acalentassem a minha alma, mas os versos felizes parecem não conseguirem me calar, muito menos me acalentar...

Esse desabafo parece vir em boa hora já que ando convivendo com pessoas de alma e filosofia muito diferentes da minha. E é assim que eu quero a minha poesia, não mais o caos organizado em versos, não mais a noite eterna, não mais o momento triste, mas a luz...

Mudanças são sempre bem vindas, e eu lanço a mim mesmo esse desafio, busco agora não mais retratar o momento nebuloso e soturno ,mas a alegria e o humor. Pretendo agora mergulhar a minha alma em outros rios, de águas calmas e límpidas, que me tragam sempre boas recordações e boas palavras...

Não, não pensem que estou “cuspindo no prato que comi”, acontece apenas que eu sinto como se eu tivesse ficado bom demais em fazer certo estilo de poesia, e em busca da evolução contínua não posso me prender apenas ao que sei fazer, quero escrever também textos em prosa, mesmo que seja poética...

Quero exprimir o inexprimível, afinal essa é a minha função, não é? Portanto amigos, eu inauguro agora uma nova fase para os meus textos, esperando sinceramente que ela seja rica em novas experiências, e me tragam palavras cada vez mais potentes. Mas se minha sorte for revés nas mãos do destino, pouco importa, pois tudo vale à pena meus amigos...Tudo!