Antes de começar a leitura desse texto queridos leitores, queria dizer que o dito cujo já fora escrito há muito tempo, e estava guardado em minhas gavetas de textos que talvez algum dia sejam publicados...Nessa fase eu pensava muito sobre a existência de Deus(coisa que faço até hoje) e no sentido de ter uma religião...Espero que apreciem as minhas conclusões...críticas ou elogios nos comentários por favor...
Marx, Deus, eu e o Brasil
Como soa para mim a palavra religião?Como defensor de algumas idéias comunistas, ela me soa exatamente como Marx dizia:”A religião é o ópio do povo.”.Porém, seguir cegamente uma idéia, sem previamente considerar as situações vistas e as variáveis que um ambiente pode empregar, soa pelo menos para mim muito mais venenoso do que o próprio ópio destilado pelas religiões.Digo isto, não sem antes pensar e refletir muito, pois, tenho em vista que considero o meu povo*, e toda sua cultura , seu romantismo enraizado que traz uma necessidade de acreditar em um futuro, por mais que o presente não lhe ofereça um perspectiva muito boa deste.
Assim como um náufrago que por amor a vida se agarra a um pedaço de madeira flutuante, até mesmo quando tudo ao seu redor seja a morte e a solidão, o povo brasileiro necessita de algo a que se prender também, algo que lhe traga fé, alívio e uma embriagada esperança.Lacuna a qual deveria ser preenchida pela luta diária por melhorias ou pela vontade de transformação social constante, porém, numa luta onde os líderes são os primeiros a desertar e a mudar de lado na batalha, torna-se inviável esperar que o brasileiro não tente encontrar na metafísica ou no misticismo o herói perfeito, o ser idealizado que virá salva-lo das garras da opressão.
Portanto, na mais pura sinceridade, vos digo que a religião é o que o povo brasileiro talvez tenha de mais importante e sincero.Pois apesar de todos os desvios cometidos pelo próprio homem e da minha dúvida constante na existência de um deus (que ainda não nos ouviu, ou anda com preguiça de nos responder),é ela que ainda faz essa gente sofrida e pobre ter coragem de levantar da cama todos os dias e não ligar para mensalões, políticos desviando verbas, escândalos e tragédias, ignorar na mais pura das ignorâncias a Amazônia e os protestantes do MST, ignorar também a fome e a miséria, e sua realidade de cada dia.Em suma, o povo brasileiro não pertence mais a essa existência, pois com tantos problemas consegue ser capaz de esquece-los e continuar resignadamente o seu caminho, enquanto eu, como triste poeta e escritor, tão preso ao meu mundo material e a Sartre, ainda preciso me beliscar para crer que realmente existo, e que tudo que vejo e ouço é real.
A Volta de Dioniso
Há um ano